O diagnóstico de artrite reumatoide não interfere na fertilidade da mulher que quer engravidar. Mas a presença da dor e o seu impacto nos relacionamentos podem adiar os planos de ter filhos.
Por isso, mulheres com artrite reumatoide precisam planejar a gestação para utilizar medicações compatíveis, já que algumas delas não são recomendadas durante a gravidez. Além disso, é preciso que a doença esteja em remissão para evitar problemas para a mãe e o bebê.
Medicação para artrite reumatoide X gravidez
“O metotrexato, por exemplo, é uma medicação frequentemente usada no início do tratamento da artrite reumatoide. No entanto, é uma medicação teratogênica, ou seja, pode causar problemas no bebê. Se uma paciente deseja engravidar, é necessário suspender essa medicação e substituí-la por outra, e há muitas opções disponíveis hoje”, explica Aline Ranzolin, reumatologista, membro da comissão de Dor da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) e médica do Ambulatório de Gestação em Pacientes Reumáticos no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE).
A leflunomida e o tofacitinibe (da classe dos inibidores de JAK) também são contraindicados nesse período. Entram na lista outros fármacos modificadores do curso da doença (DMARDs) e alguns anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). Os riscos envolvem malformações congênitas no bebê e aumento do risco de pré-eclâmpsia, baixo peso ao nascer, parto prematuro e perda gestacional.
Em contrapartida, medicamentos como a hidroxicloroquina, a sulfasalazina e corticosteroides em doses baixas, a exemplo da prednisona, são considerados seguros para o tratamento da artrite reumatoide durante a gestação. Todos estão disponíveis no SUS.
“O reumatologista que acompanha a paciente e o obstetra do SUS realizam esse acompanhamento. A mulher será encaminhada para um ambulatório de alto risco, pois toda paciente com gestação e outra doença associada é acompanhada nesse tipo de pré-natal”, destaca Aline.
Doença deve estar em remissão
Durante a gravidez, o comportamento da doença pode variar. Se a paciente estiver em remissão e utilizando medicações seguras, a tendência é que a gestação transcorra bem. Caso contrário, a doença pode ou não melhorar durante a gestação, com risco de consequências para o bebê. No pós-parto, a artrite reumatoide geralmente entrará em atividade ou piorará.
Além das medicações para controle, alguns hábitos diários podem ajudar a prevenir as manifestações da doença: praticar atividades físicas regulares, dormir bem, alimentar-se de forma saudável, evitar alimentos processados e ultraprocessados e reduzir o consumo de açúcar.
“É importante mencionar que, dependendo da medicação imunobiológica utilizada durante a gestação, pode ser necessário ajustar o calendário de vacinas do bebê. Por exemplo, a vacina BCG, que geralmente é administrada no primeiro dia de vida, pode precisar ser adiada para os 6 meses de idade em bebês cujas mães usaram certas medicações durante a gravidez”, acrescenta a especialista.
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