O Club 80 já foi considerado uma das maiores casas de prostituição da região Norte. Mas Rui Sousa afirmou que aquelas mulheres, maioritariamente sul-americanas, “por regra, não podiam” fazer sexo com os clientes. “Se eu soubesse, mandava-as embora”, assegurou Rui Sousa, atualmente a trabalhar no setor da hotelaria.

As declarações foram prestadas pelo arguido após a sua detenção, em 2019, e reproduzidas esta quarta-feira no Tribunal de Matosinhos, uma vez que o empresário e os outros seis arguidos optaram pelo silêncio no arranque do julgamento.

No primeiro interrogatório judicial, Rui Sousa alegou que “as mulheres iam e vinham [ao Club 80] quando lhes apetecia para fazer o alterne” e que desconhecia “se elas estavam ou não ilegais”. “Não tinha o direito de lhes perguntar isso”, justificou-se.

Quanto aos cerca de 550 mil euros que o agora extinto Serviço de Estrangeiros e Fronteiras lhe apreendeu em casa, em Braga, o arguido explicou que era “o dinheiro da sua vida”. “Há 20 anos que trabalho todos os dias. Não o coloquei em bancos porque não era todo declarado”, disse.