No final de 2025, a administração norte-americana, presidida por Donald Trump, informou que suspendeu as licenças de cinco projetos de energia eólica offshore. Na outra extremidade, a China acelera a instalação do aerogerador eólico marinho de 20 MW do mundo.

Imagem do maior aerogerador marinho do mundo de 20 MW, montado na China.

Três pás com 147 metros de comprimento, com uma área varrida equivalente a 10 campos de futebol. O rotor está situado a 174 metros acima do nível do mar.

China instala a primeira turbina eólica offshore de 20 megawatts do mundo

A China voltou a elevar a fasquia da energia eólica marítima com a instalação da primeira turbina offshore de 20 megawatts do planeta. O projeto, desenvolvido pela China Three Gorges Co., localiza-se ao largo da costa da província de Fujian, numa zona conhecida pelas suas condições marítimas exigentes.

Não se trata apenas de um número redondo nem de um gesto simbólico. Estamos perante uma máquina capaz de gerar mais de 80 milhões de quilowatt-hora por ano, suficiente para abastecer o consumo elétrico anual de cerca de 44.000 habitações, com produção direta no mar e sem ocupar solo em terra.

Imagem do maior aerogerador marinho do mundo de 20 MW, montado na China.

Um salto real na engenharia marítima

Instalar uma turbina desta dimensão não é trivial. O local encontra-se a mais de 30 quilómetros da costa, em águas profundas e expostas a monções sazonais, forte ondulação e janelas meteorológicas muito curtas. Cada decisão conta. Cada manobra também.

Para o tornar possível, a equipa recorreu a um navio de instalação de nova geração, capaz de elevar até 2.000 toneladas com precisão milimétrica.

As três pás, com quase 150 metros de comprimento cada, foram içadas até uma altura total de 174 metros acima do nível do mar antes de serem acopladas ao cubo central. Um erro mínimo teria significado semanas de atraso. Ou algo pior.

Aqui não há romantismo tecnológico. Há logística extrema, sistemas avançados de posicionamento dinâmico, sensores, simulações prévias e uma coordenação cirúrgica entre mar, máquina e pessoas.

Tecnologia nacional e redução de custos

Um dos aspetos mais relevantes do projeto é o facto de a turbina ter sido construída com componentes integralmente nacionais, algo estratégico para a China num contexto de transição energética e de competição industrial global.

Além disso, o design é mais leve do que o habitual: supera a média do sector em eficiência estrutural, com uma redução de peso superior a 20% por megawatt instalado.

Este não é um detalhe menor. Menos peso implica fundações submarinas mais simples, menor utilização de aço e betão, tempos de instalação mais curtos e, no conjunto, custos mais baixos por unidade de energia produzida.

Na eólica offshore, onde a obra civil é uma das parcelas mais dispendiosas, este fator pode marcar a diferença entre um projeto viável e um inviável.

Energia limpa à escala industrial

Uma única turbina com estas características pode substituir cerca de 24.000 toneladas de carvão por ano e evitar a emissão de aproximadamente 64.000 toneladas de dióxido de carbono.

Não é uma promessa futura, é um impacto direto associado a um único aerogerador em funcionamento.

A chave está na escala. Menos turbinas para a mesma potência instalada. Menos cabos, menos manutenção, menos intervenção humana em ambientes hostis. A eólica marítima avança para máquinas cada vez maiores não por exibicionismo tecnológico, mas por eficiência sistémica.