No dia em que a maior queda é de António José Seguro, a sondagem diária revela que o líder do Chega é, para os inquiridos, o candidato favorito a vencer as eleições de domingo. Número de indecisos aumenta

Após cinco dias consecutivos de subida, António José Seguro regista esta quarta-feira a maior descida na tracking poll. O candidato apoiado pelo PS cai 1,3 pontos percentuais, para 22,6% das intenções de voto, mantendo ainda assim a liderança do top 3 em empate técnico para vencer a primeira volta das eleições presidenciais. Em sentido inverso, André Ventura protagoniza a maior subida do dia (+1,5 pontos), aproximando-se do primeiro lugar e alcançando o melhor resultado desde o início das sondagens, com 22%.

A fechar o pódio, João Cotrim de Figueiredo volta a registar uma queda nas intenções de voto – desce 0,5 pp para os 20,3%, no dia em que uma parte da amostra já contempla tanto a sua gaffe sobre um possível apoio a André Ventura na segunda volta, entretanto corrigida, como também as acusações de assédio sexual por uma antiga assessora, que o ex-líder da Iniciativa Liberal admitiu levar a tribunal. 

Henrique Gouveia e Melo mantém-se em quarto lugar e sobe 0,2 pontos percentuais nas intenções de voto, para 15,4%. Trata-se da sua primeira subida desde o início da tracking poll: o almirante começou com 19,2% e acumula, desde então, uma descida de 3,8 pontos percentuais.

Trajetória semelhante teve a candidatura de Luís Marques Mendes, que também subiu 0,2 pp na última sondagem diária feita pela Pitagórica para a CNN Portugal, TVI, JN e TSF. O antigo líder social-democrata fixa-se agora nos 13,4%, obtendo o seu primeiro aumento desde o dia 9 de janeiro. 

Ainda assim, mesmo com este ligeiro crescimento, nem Henrique Gouveia e Melo nem Luís Marques Mendes alcançam valores que permitam um empate técnico, quer para o primeiro lugar, quer para chegarem a uma segunda volta. O social-democrata tem um teto máximo de 18% e o almirante atinge, na melhor das hipóteses, 15,9%, ambos abaixo do intervalo mínimo para a liderança fixado nos 19,6% de Seguro.

Pelo mesmo motivo, os resultados atuais de Marques Mendes e do antigo chefe do Estado-Maior da Armada afastam, para já, a possibilidade de uma presença na segunda volta. O limiar mínimo para esse cenário voltou a subir nesta sondagem e situa-se agora nos 19% obtidos por Ventura.

Há também nesta sondagem diária uma diferença: a amostra cresceu para as 755 entrevistas e a margem de erro recuou para os ±3,64%

Fora das cinco maiores candidaturas, a situação permanece praticamente equivalente. Catarina Martins, que mantém o quinto lugar, é a única a registar uma oscilação nas intenções de voto: menos 0,1 pp para os 2,4%. Todos os restantes mantêm o mesmo resultado registado na terça-feira. 

O número de indecisos volta também a crescer, algo que não acontecia desde o dia 9 de janeiro, e fixa-se nos 11,7%. 

Ventura passa Seguro como favorito

Há também uma alteração na dinâmica de vitória, com Ventura a ser agora o nome que os inquiridos vêem como mais provável de vencer a eleição. Trata-se de uma subida de 2 pp para o líder do Chega que lhe serve para ultrapassar Seguro (24%) nesta métrica, chegando aos 26%.

Para além de Seguro e Ventura, a perceção de vitória continua a penalizar a maioria dos restantes candidatos. Luís Marques Mendes surge agora com 14% dos inquiridos a apontá-lo como potencial vencedor, uma descida de dois pontos percentuais face ao dia anterior. Henrique Gouveia e Melo mantém-se estável nos 13%, sem conseguir inverter a tendência de descida dos últimos dias. 

A exceção continua a ser João Cotrim de Figueiredo, que volta a registar uma ligeira subida nesta métrica, para 10%, mas permanece ainda distante dos dois nomes que lideram a dinâmica de vitória. 

Por idades, continua a existir uma forte clivagem. Seguro mantém a liderança entre os eleitores com 55 ou mais anos, com 27,7%, enquanto André Ventura domina entre os 35 e os 54, com 22,6%. E João Cotrim de Figueiredo continua a destacar-se junto dos mais novos, onde ultrapassa os 27%, mas perde expressão nas faixas etárias mais velhas. 

À semelhança da sondagem de terça-feira, Seguro é o mais votado entre os homens (22,3%), e Ventura entre as mulheres (18,2%).

Cotrim já capta 22,3% do eleitorado da AD

No que diz respeito ao voto nas últimas eleições legislativas mostra António José Seguro a captar a maioria do eleitorado socialista: 55,6% dos que votaram PS indicam agora intenção de voto no antigo secretário-geral. Ainda assim, 13,3% desses eleitores optam por Luís Marques Mendes e 11,4% mantêm-se indecisos, sinalizando alguma dispersão no campo socialista. 

Entre os eleitores da AD, o cenário é mais fragmentado e João Cotrim de Figueiredo já consegue captar 22,3% e Gouveia e Melo já representa 11,6% das intenções de voto de quem elegeu Montenegro como primeiro-ministro. Ainda assim, Marques Mendes lidera neste segmento com 26,9%. Já André Ventura recolhe apenas 5,3% entre antigos votantes da coligação.

Por outro lado, Ventura domina de forma esmagadora no eleitorado do Chega, concentrando 79,5% das intenções de voto.

Ficha técnica

Considerando a aproximação do final da campanha e as acusações divulgadas na segunda-feira dirigidas ao candidato Cotrim de Figueiredo, foi decidida um aumento do número de entrevistas diárias. Assim, a partir de 13 de janeiro (inclusive), o tamanho da amostra diária passou a ser de 350 entrevistas. A amostra de hoje é de 755 entrevistas recolhidas nos seguintes dias e com as seguintes proporções :

• 11 de janeiro: 202 entrevistas;

• 12 de janeiro: 203 entrevistas;

• 13 de janeiro: 350 entrevistas.

Foram tidos como critérios amostrais o Género, 3 cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores).O resultado do apuramento dos 3 últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 755 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±3,64%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de “telemóvel” mantendo a proporção dos 3 principais operadores móveis.

Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI – Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições Presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto dos vários candidatos.

Foram realizadas 1540 tentativas de contacto, para alcançarmos 755 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 48,96%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC – Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.