Há muito dinheiro a entrar em Portugal através de fundos europeus e muito mais virá a caminho nos próximos anos, mas o processo de submissão das candidaturas a estes fundos pode tornar-se uma verdadeira dor de cabeça. “Para fazer uma candidatura a um fundo europeu uma pequena ou média empresa demora mais ou menos 50 horas e sem nenhuma certeza de que vai ter sucesso. Além disso, a maior parte das empresas não sabem fazer este processo”, explica Bernardo Seixas, presidente executivo da Granter, empresa da qual é um dos fundadores.
Matilde Fieschi
Foi para combater a burocracia associada aos fundos europeus que a Granter nasceu em 2023. Recorrendo a inteligência artificial, uma candidatura pode durar entre 30 a 60 minutos a ser preparada, em vez de 50 horas, dispensando o recurso a consultores. A burocracia dificilmente deixará de existir nestes processos, acredita Bernardo Seixas, e por isso a sua empresa continuará a ser necessária: “a nossa empresa não devia existir, criámo-la quase por raiva”.
Matilde Fieschi
A Granter foi a vencedora da edição de 2025 da Web Summit, um momento marcante na sua curta história. “Vencer a Web Summit teve um impacto muito grande na nossa empresa, a nível comercial, de contactos e de investidores”, refere Bernardo Seixas. Até ao final do mês o empreendedor conta obter €2 milhões em financiamento, acreditando que a sua empresa chegará ao final deste ano com uma faturação de €3 milhões.
Outros tópicos que pode ouvir ao longo da conversa
“Muitas vezes as empresas têm recursos humanos totalmente dedicados a fundos europeus, o que não é suposto. Isto não devia acontecer”
“Todo este mundo dos consultores não devia existir. Os processos deviam ser simples o suficiente para uma empresa conseguir fazê-los sozinha”
“Treinei muito, a certa altura, um dos meus colegas que estava a viver comigo em Itália sabia já o meu pitch de cor, porque me ouvia a dizê-lo no banho”
“Ideias toda a gente tem. A execução e a comunicação dessas ideias é o que faz a diferença”
O podcast que nos conta o que de inovador e diferenciador está a ser feito pelas empresas em Portugal. Na “Liga dos Inovadores”, Elisabete Miranda e Pedro Lima conversam com gestores, diretores e profissionais que nos contam histórias que conquistaram o mercado e vão contribuindo para a transformação económica do país e da sua imagem. Falam-nos das vitórias que os trouxeram até aqui, mas também das ansiedades, dos concorrentes que invejam, dos gestores que admiram, dos profissionais que têm e dos perfis que precisam de contratar. Todas as semanas, às quartas-feiras.