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Nascido a 23 de janeiro de 1961, no concelho de Olhão, Humberto Correia cresceu numa família humilde e começou a trabalhar ainda criança. Completou apenas a quarta classe e, aos 15 anos, emigrou para França, onde viveu cerca de 27 anos, passando por fábricas e pela construção civil. Regressou a Portugal em 2003 e encontrou na pintura uma forma de sustento e expressão. Desde então, pinta e vende quadros na rua, na baixa de Faro, atividade que mantém há mais de 20 anos.
Foi também essa vivência que o levou à política. Em 2017, candidatou-se de forma independente à Câmara Municipal de Faro, numa campanha que ficou conhecida como a do “Candidato do Amor”. Obteve 1,8% dos votos e, apesar de não ter sido eleito, saiu convencido de que o seu próximo passo seria Belém.
“Depois dessas eleições, pensei: as próximas são as presidenciais”, contou em entrevista ao Sul Informação. A 7 de maio de 2021 iniciou a recolha de assinaturas — uma tarefa que durou 51 meses, durante os quais abordou mais de 200 mil pessoas e conseguiu mais de 10 mil proponentes, sem qualquer apoio partidário. No Tribunal Constitucional entregou 9.490 certidões validadas.
Hoje, já se considera “vencedor”, independentemente do resultado.
Habitação como eixo central
A candidatura de Humberto Correia nasce daquilo que descreve como a sua maior preocupação: a pobreza e a crise da habitação. “Vejo cada vez mais miséria no país. A habitação não é um problema, é um desastre”, repete.
A sua principal proposta passa por impor o cumprimento do artigo 65.º da Constituição, defendendo que o Estado deve assumir um papel central na construção de habitação social.
Se for eleito, promete exigir ao Governo, “seja qual for a sua cor”, a construção de 100 mil casas por ano, com rendas acessíveis calculadas por metro quadrado, dando prioridade aos jovens. Considera que esta é a única forma de travar a emigração e reduzir a dependência da imigração.
Além da habitação, propõe ensino obrigatório, gratuito e de qualidade a partir dos três anos de idade — modelo que diz conhecer bem por ter criado os filhos em França —, investimento em florestas nativas e uma abordagem preventiva na saúde pública, assente na educação para hábitos de vida mais saudáveis.
D. Afonso Henriques e a campanha na rua
Sem acesso regular aos grandes debates televisivos, Humberto Correia optou por uma estratégia singular: percorrer o país vestido de D. Afonso Henriques, distribuindo panfletos e falando diretamente com as pessoas. Começou por Guimarães, passou por 15 distritos e pretende descer até ao Algarve, à semelhança da conquista do território pelo primeiro rei de Portugal.
O candidato diz distinguir-se por vir “da pobreza” e por conhecer “o sofrimento do povo português”, garantindo que será “o presidente de todos os portugueses” e o garante da Constituição. Afasta qualquer possibilidade de desistir da corrida, apesar das dificuldades e da dimensão do desafio. “Nem que eu vá de rastos”, afirma.
“Não são os votos que me preocupam. São os problemas do povo português. É nisso que penso noite e dia”.
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