A quatro dia das eleições, os candidatos marcaram o 11.º dia de campanha a deixar o apelo ao voto da direita, com o candidato liberal a dirigir uma carta a Luís Montenegro a pedir o seu apoio.

O antepenúltimo dia de campanha presidencial foi marcado pelos apelos ao apoio do Governo. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, marcou presença na campanha de Luís Marques Mendes, candidato que apoia, contudo, o candidato liberal João Cotrim de Figueiredo pediu a Montenegro o apoio do PSD à sua candidatura.

Logo pela manhã de quarta-feira, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal (IL) fez um pedido a Luís Montenegro, que recomendasse ao PSD o voto na sua candidatura e não na de Luís Marques Mendes.

“Com sentido de responsabilidade, e sem querer menorizar a candidatura apoiada pelo partido liderado por vossa excelência, assim como pelo CDS-PP, venho hoje apelar ao voto do PSD na minha candidatura à Presidência da República”, escreveu o candidato.

Este pedido é feito numa altura em que as sondagens colocam este candidato numa boa posição para chegar à segunda volta. Na opinião de Cotrim de Figueiredo o voto na sua candidatura é o único que pode impedir um cenário com o líder do Chega ou do candidato apoiado pelo PS no Palácio de Belém.

Para o candidato liberal Montenegro “fazia um serviço à Nação” se o apoiasse.

Cotrim deixa este apelo no mesmo dia em que Luís Montenegro faz a segunda aparição na campanha do candidato Marques Mendes, que já se pronunciou sobre este pedido, considerando-o como um “número político” de Cotrim e de exibicionismo.

Na sua primeira aparição na campanha de Marques Mendes, Montenegro deixou o aviso aos eleitores do PSD e CDS-PP para não brincarem com o seu voto e que o voto em Cotrim ou em Seguro era “facilitar a passagem de dois candidatos populistas” à segunda volta.

O candidato Gouveia e Melo também se pronunciou sobre esta carta, lançando críticas ao candidato liberal. “O Presidente da República tem de ser verdadeiramente independente. Um Presidente não começa a dizer ao primeiro-ministro: eu vou ser subserviente”, referiu.

Já sobre a segunda aparição de Montenegro na campanha de Marques Mendes, o candidato independente considera que esta só acontece devido à perceção de que o candidato apoiado pelo PSD não passar à segunda volta.

A quatro dias das eleições Gouveia e Melo mostra-se preocupado com a escolha de um “mau” Presidente. “Estou verdadeiramente angustiado com o que se passa, porque acho que podemos correr o risco de escolher um mau Presidente da República”, afirmou.

O candidato que não tem demonstrado grande interesse pelas sondagens, que não o colocam numa segunda volta, revelou a sua angústia com a escolha do Presidente, referindo que o quando se fala em voto útil, os portugueses não devem “pensar em partidos”.

Gouveia e Melo deixa o apelo aos eleitores para não desperdiçarem o voto “em quem não quer ser Presidente”, referindo-se a André Ventura.

 

Luís Montenegro não quer “extensão do Governo em Belém”

Na sua segunda aparição na campanha eleitoral de Marques Mendes, o primeiro-ministro frisou que não quer “ter em Belém nenhuma extensão do Governo”. “Transportar para Belém uma extensão da Assembleia da República é errado, queremos transportar para Belém uma personalidade que dê segurança e estabilidade a Portugal”, afirmou.

Durante a intervenção, Montenegro deixou comentários aos apelos de João Cotrim Figueiredo, que lhe dirigiu uma carta na qual referiu Francisco Sá Carneiro. “É pena que aqueles que se quiseram apropriar da memória de Sá Carneiro, sejam aqueles que não compreendem que o presidente do PSD tem todas a legitimidade  de ter as suas convicções para estar numa campanha presidencial, e um presidente do PSD à Sá Carneiro não é aquele que sai do partido quando amua para formar outro partido, é aquele que está sentado na linha do seu partido”.

“Com muita tranquilidade digo-vos estou aqui por convicção, para dizer aos portugueses aquilo que na minha opinião deve presidir à escolha soberana que é de cada um deles”, referiu.

O primeiro ministro salientou a sua confiança na escolha dos portugueses, tendo a convicção “de que as eleições estão em aberto”. “Tenho a certeza de que muitos portugueses ainda estão a avaliar a situação. A minha convicção é de que essa avaliação será criteriosa e profunda. E mau seria se o presidente do maior partido português desse o seu contributo”, declarou.