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O Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, reiterou as garantias de segurança norte-americanas para Kiev. No entanto, afirmou que é o seu homólogo ucraniano — e não o russo — que está a bloquear um possível acordo de paz para a Ucrânia. Em entrevista à agência Reuters na Sala Oval da Casa Branca, olhou para o futuro do Irão e assumiu ter dúvidas sobre a capacidade do autoproclamado herdeiro iraniano liderar o país no futuro.
O líder norte-americano disse que Vladimir Putin está pronto para pôr fim à invasão russa, enquanto Volodymyr Zelensky, na sua visão, tem sido mais cauteloso. “Acho que ele [Putin] está pronto para fazer um acordo. Acho que a Ucrânia está menos disposta a fazer um acordo”, afirmou.
Quando questionado sobre o que estava a bloquear o processo de paz, Donald Trump respondeu: “Zelensky”.
Relativamente à visita planeada pelos enviados especiais da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner, a Moscovo para se reunirem com Putin, o líder norte-americano disse que não tem conhecimento de nenhum encontro previsto.
Sobre o conflito ucraniano, Trump disse, ainda, que não descarta a possibilidade de se encontrar com o Presidente ucraniano no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, que se irá realizar entre 19 e 23 de janeiro. Questionado sobre esta questão, o líder dos Estados Unidos respondeu: “Eu iria [a um possível encontro com Zelensky], se ele estiver lá. Eu vou lá estar“.
O Presidente dos EUA admitiu que, apesar de considerar Reza Pahlavi simpático, duvida da sua capacidade para liderar o Irão. “Ele parece bastante simpático, mas não sei como se sairia com o seu próprio país. E ainda não chegámos a esse ponto”, disse Donald Trump, sobre o filho do antigo xá (monarca) iraniano, à Reuters.
Pahlavi, que vive fora do Irão desde que o seu pai foi deposto em 1979, tem sido uma voz muito ativa nos protestos recentes no país do Médio Oriente. O autoproclamado príncipe herdeiro do Irão chegou a apelar à intervenção de Trump.
“Eu não sei se o seu país aceitaria a sua liderança. De certeza que se o fizessem não teria problemas para mim”, assumiu, agora, o Presidente dos EUA. Trump admitiu a possibilidade de o regime iraniano cair na sequência destes protestos, mas assumiu que “qualquer regime pode cair”. “Quer caia, quer não, será um período interessante”.
Na mesma entrevista, o Presidente dos EUA confessou que, no seu entender, seria melhor para a Venezuela continuar a pertencer à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). No entanto, não sabe se isso seria bom para os norte-americanos. “Não sei se é melhor para nós, mas eles são um membro do OPEP e ainda não discutimos isso com eles”.
“Acho que é melhor para eles se o fizerem”, disse, questionado sobre se seria bom para a Venezuela continuar a pertencer ao organismo que o país sul-americano ajudou a fundar e que é, atualmente, liderada por Rússia e Arábia Saudita. A Venezuela tem uma das maiores reservas mundiais de petróleo, que nos últimos anos tem sido subexplorada, que Trump tenciona colocar nas mãos das grandes companhias petrolíferas dos EUA — depois de serem reabilitadas as infraestruturas.
O Presidente dos EUA defendeu que não tem que “se preocupar” com os limites impostos pela OPEP à produção de petróleo. “Eu não tenho nada que ver com a OPEP”.
Donald Trump também abordou, na mesma entrevista, a morte a tiro de Renee Good, baleada em Minnesota por um agente do ICE. Apesar de ter condenado o “pouco respeito” demonstrado pela vítima aos polícias, o Presidente assumiu um tom mais conciliador face às primeiras reações da Casa Branca — tanto do Vice-Presidente JD Vance, como por Trump nas redes sociais.
Na Truth Social, o Presidente chegou a denunciar que a vítima era uma “agitadora profissional” que de forma violenta e consciente “atropelou um agente do ICE”, que agiu em legítima defesa. Agora, questionado pela agência, assumiu uma postura mais neutra. “Não quero entrar no certo ou errado. Eu sei que foi uma situação complicada. (…) É triste de ver de ambos os lados”.
Trump disse que ia esperar para ver o desenrolar do caso, antes de confirmar se poderia perdoar o agente que matou Renee, caso este seja acusado e condenado. “Vamos ver o que acontece. Foi um acontecimento muito triste”.