Woody Allen vai começar a rodar em Madrid a sua 51.ª longa-metragem a partir de março, avançou a imprensa internacional.

Será o terceiro filme do lendário cineasta em Espanha, depois de “Vicky Cristina Barcelona” (2008) e “Rifkin’s Festival” (2020).

O novo trabalho do cineasta de 90 anos faz parte de um alinhamento de projetos internacionais divulgado pela 3SIX9 Studios, uma produtora saudita lançada há dois anos no Festival de Cannes que inclui entre os sócios o ator Amaury Nolasco (“Prison Break”) e o mulmilionário saudita Mohammed Youssef El Khereiji.

Segundo a publicação ‘online’ Deadline, o filme terá um orçamento de 14 milhões de dólares (cerca de 10 milhões de euros, 1,5 dos quais da Câmara Municipal de Madrid) e será “em grande parte em inglês”, com um “elenco de peso” que ainda está a ser definido. Não existem informações sobre a história.

O título ainda não é conhecido, mas irá incluir Madrid pois é uma obrigação contratual. O provisório é “WASP 2026, uma sigla para “Woody Allen Spring Project 2026” [projeto da primavera 2026 de Woody Allen].

Segundo as notícias, não faltaram interessados: as Canárias e o País Basco também ofereceram financiamento para a rodagem de um novo filme do cineasta nas suas regiões.

O mais recente filme de Allen é “Golpe de Sorte”, rodado em francês com Lou de Laâge, Melvil Poupaud e Niels Schneider, um ‘thriller’ com algumas notas de comédia, que assenta na premissa do acaso, das coincidências, numa história sobre ciúmes, poder, romance e infidelidade conjugal.

Bem recebido pelos críticos, é de 2023. O seu lançamento foi acompanhado por dúvidas do próprio se se iria reformar e seria o último, para se focar na escrita.

Em 1992, quando terminou a relação de Allen com Mia Farrow, após a atriz descobrir o envolvimento com a sua filha adotiva Soon-Yi Previn, surgiu a acusação de ter abusado sexualmente de outra filha adotiva, Dylan, quando esta tinha sete anos.

O cineasta negou a acusação e acusou Farrow de se estar a vingar dele. Um juiz de Nova Iorque declarou as acusações inconclusivas, mas criticou Allen como “egocêntrico, pouco fiável e insensível”.

Allen passou a ficar na defensiva, mas inicialmente, o escândalo não prejudicou a produtividade: continuou a lançar, em média, um filme por ano, atraindo consistentemente grandes nomes de Hollywood e estrelas europeias, como Leonardo DiCaprio em “Celebridades” (1998), Scarlett Johansson em “Match Point” (2005), Penélope Cruz e Javier Bardem em “Vicky Cristina Barcelona” (2008) e Marion Cotillard em “Meia-Noite em Paris” (2010), que valeu a Allen o quarto Óscar, novamente como argumentista.

Allen só viu as portas de Hollywood fecharem-se, virando-se para a Europa, onde encontrou investidores para continuar a filmar, quando Dylan reiterou as alegações no outono de 2017, na sequência do movimento #MeToo.