Nos últimos anos, tenho observado um aumento preocupante de pacientes jovens chegando ao consultório com sinais de injúria renal. Muitos deles não apresentam doenças crônicas, mas compartilham um ponto em comum: o uso de anabolizantes para fins estéticos.
A busca por ganho rápido de massa muscular, impulsionada pelas redes sociais, tem levado pessoas a utilizarem hormônios sem indicação médica, em doses muito acima das administradas em tratamentos clínicos. O problema é que esses compostos podem causar danos renais sérios e, muitas vezes, irreversíveis.
Anabolizantes e os impactos nos rins
Os anabolizantes aumentam o risco de injúria renal por diferentes mecanismos. Eles elevam a pressão arterial, favorecem retenção de sódio e estimulam um crescimento exagerado da massa muscular, o que sobrecarrega o rim.
Além disso, alguns usuários fazem combinações perigosas, associando hormônios, suplementos de proteínas em excesso e substâncias hepatotóxicas. Esse “coquetel” produz inflamação nos túbulos renais, altera a filtração do sangue e pode desencadear quadros como proteinúria (proteína na urina, algo anormal), insuficiência renal aguda e até glomerulopatias graves.
Outro ponto que me preocupa é que muitos desses produtos são adquiridos no mercado paralelo, sem controle de pureza ou dosagem. Já acompanhei casos em que o paciente acreditava estar usando apenas “hormônios”, mas o frasco continha estimulantes, solventes tóxicos e até metais pesados, aumentando ainda mais o potencial de toxicidade.
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Em vários casos que acompanhei, o paciente só procurou ajuda quando começou a apresentar inchaço, cansaço extremo ou alteração da urina, sinais que já indicam uma lesão significativa.
Falsa sensação de segurança
A falsa sensação de segurança também é comum. Muitos usuários acreditam que “ciclar” ou usar medicamentos protetores evita os danos. Na prática, isso não impede a agressão renal. O rim não avisa de forma imediata que está sofrendo; a lesão costuma ser silenciosa até atingir um grau mais avançado.
A realização de exames periódicos, como creatinina, relação albumina/creatinina urinárias e a medição da pressão arterial, são fundamentais para a detecção precoce de alteração da função renal.
É possível ganhar saúde, força e condicionamento sem recorrer a anabolizantes. Alimentação adequada, treino estruturado, descanso e acompanhamento profissional trazem resultados consistentes e seguros. No consultório, vejo diariamente que reparar um rim lesionado é muito mais difícil do que evitar o dano desde o início.
O caminho mais seguro continua sendo a informação, a prevenção e o cuidado responsável com o próprio corpo.