Em 2002 Irene enfrentou um cancro da mama e passou por um tratamento de quimioterapia. Contudo, há quase três anos que o seu estado de saúde tem vindo a agravar-se, o que a imprensa espanhola dizia ser uma doença cognitiva. Alguns órgãos de comunicação social chegaram a alegar que Irene sofria de Alzheimer, entretanto a Casa Real nunca confirmou o diagnóstico.
Irene era a principal companhia e confidente da Rainha Sofia, especialmente depois da separação de Juan Carlos, que vive num exílio autoimposto em Abu Dhabi desde 2020. Nunca se casou nem teve filhos, mas viveu especialmente próxima dos sobrinhos, que a chamavam Pecu, uma alcunha carinhosa para dizer que a tia era peculiar. Irene era a mais nova dos três filhos dos Reis Pablo e Frederica da Grécia, nasceu a 11 de maio de 1942 durante o exílio dos pais na África do Sul por causa da II Guerra Mundial. A família só regressou à Grécia em 1946 — um ano depois Pablo tornou-se Rei.
Em 1973, entretanto, Irene viu-se apátrida, quando o irmão, Constantino II, foi deposto. Então, a princesa mudou-se com a mãe para a Índia, onde converteu-se ao budismo, adotou uma alimentação vegana, teve o primeiro contacto com práticas como a yoga e passou a usar peças étnicas como saris e com padrão paisley. Depois da morte da mãe, nos anos 1980, foi viver com a irmã em em Zarzuela, onde tem um apartamento próprio e passou a ser a principal companhia da Rainha Sofia, com quem partilha interesses como a crença em óvnis, recorda o Lecturas. Em 2018 a princesa renunciou à cidadania grega para receber a nacionalidade espanhola.
Irene também ficou conhecida pelo envolvimento em causas solidárias e ambientais. A indemnização de cerca de 900 mil euros que recebeu do Estado grego em 2002 foi totalmente doada para a fundação Mundo em Armonia, que criou em 1986 e encerrou no final de 2023, na altura em que se tornaram públicas as questões de saúde de Irene. Uma das suas primeiras ações solidárias à frente da ONG foi embarcar num avião com quase 100 vacas, transportadas da Alemanha até a Índia. O objetivo: evitar que os animais fossem sacrificados por uma política da Europa e pudessem alimentar a população no país onde viveu por mais de dez anos. “Alguns vão me chamar de ‘a maluca das vacas’, mas se vissem o que uma vaca leiteira significa para essas pessoas, todos elogiariam as minhas ideias malucas”, disse a princesa Irene à revista Hola! naquele ano. Entretanto, a fundação também centrou-se em apoiar projetos educativos, de luta contra a adição em drogas e de suporte à Cruz Vermelha em situações de desastres naturais, como o sismo no Marrocos em 2023.