Sem detalhar o número de episódios confirmadas desde 2022, o instituto refere, em comunicado, que o laboratório nacional de referência “confirmou anualmente casos de infeção por Candida auris em amostras clínicas provenientes de diversos hospitais públicos das regiões de saúde Norte e Lisboa e Vale do Tejo”. O esclarecimento surge após ter sido noticiado, na terça-feira, que uma equipa de investigadores liderada pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) estudou os oito primeiros casos nacionais, identificados em 2023 num hospital da região Norte.

“O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge vem esclarecer que o primeiro caso de infeção por Candida auris em Portugal foi identificado pelo laboratório nacional de referência de infeções parasitárias e fúngicas do seu departamento de doenças infeciosas, em 2022”, esclareceu, sustentando que a “evidência científica encontra-se devidamente documentada” no artigo “Candida auris in intensive cara settings: the first case reported in Portugal”, publicado em agosto de 2023, no “Journal of Fungi”.

De acordo com Sofia da Costa Oliveira, docente da FMUP que coordenou o estudo noticiado na terça-feira, e publicado na mesma revista científica, apesar deste fungo resistente a medicamentos ser considerado uma ameaça à saúde pública global, “é de propagação hospitalar e não comunitária”, daí que a sua relevância esteja associada “principalmente à facilidade de transmissão em unidades de cuidados de saúde e à resistência a alguns antifúngicos, o que justifica vigilância reforçada”.

À Delas.pt, o infecciologista Daniel Silva Coutinho explica que o “risco” do Candida auris “está principalmente associado a internamento prolongado, uso de dispositivos invasivos, doenças graves ou terapêuticas que enfraquecem o sistema imunitário”.

Identificado pela primeira vez no Japão

De acordo com o INSA, este “fungo oportunista humano” foi identificado pela primeira vez em 2009, no Japão. As infeções têm “aumentado progressivamente nas últimas décadas e tornaram-se uma das principais causas de morbilidade e mortalidade em pacientes em cuidados intensivos” devido ao aumento das taxas de procedimentos invasivos, ao uso extensivo de antimicrobianos de amplo espectro, à maior taxa de pacientes imunocomprometidos internados nestas unidades e ao tempo de permanência nas mesmas.

Ainda segundo o instituto, o Candida auris não faz parte dos microrganismos de declaração obrigatória no sistema nacional de vigilância epidemiológica (SINAVE), mas o laboratório nacional de referência reportam os casos que identifica à Direção-Geral da Saúde e, através desta, às instituições europeias. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças indica que entre 2013 e 2021 foram reportados 1812 casos de infeções ou portadores do fungo em 15 países da UE.