O inverno que agora se instala apresenta potencial para nevões pouco comuns na última década. Nas próximas semanas, entradas de ar polar e depressões frias devem afetar várias regiões do país, com possibilidade de queda de neve em altitudes elevadas e médias, áreas que habitualmente não registam este tipo de acumulação.

De acordo com o site Luso Meteo, especializado em meteorologia, a configuração atmosférica atual combina um jato polar vindo do Norte com um bloqueio sobre o Norte e Este da Europa.

Esta combinação tem forçado as depressões atlânticas a descerem de Norte para Sul sobre a Europa Ocidental e Central e aumenta a probabilidade de frio persistente e de precipitação em formas sólidas nas áreas mais altas do território.

O cenário para os próximos dias

Um episódio com possibilidade de acumulação significativa surge nas previsões para o sábado, 17 de janeiro. O modelo americano GFS, considerado mais fiável na estimação das cotas de neve neste inverno, aponta para queda de neve a cotas entre 600 e 800 metros nesse evento. Acima dos 1000 a 1200 metros, a probabilidade de acumulação é maior e a neve tende a ser mais consistente.

As previsões mantêm margem de erro e poderão ser ajustadas nos próximos dias conforme a evolução dos campos de pressão e das trajetórias das depressões. Segundo a mesma fonte, esta incerteza é típica dos modelos meteorológicos quando se trata de períodos prolongados e de interações complexas entre fluxos polares e sistemas atlânticos.

Neve em altitudes invulgares

Em Portugal, a relação entre frio e precipitação raramente favorece nevões em baixas altitudes. Nos anos mais frios, o céu tende a permanecer limpo e seco. Este inverno apresenta exceções, com episódios de chuva acompanhados de temperaturas mais baixas, que já resultaram em neve na Serra da Estrela e em cotas relativamente baixas noutros maciços montanhosos.

Entre 21 e 22 de dezembro, houve registos de neve com acumulação em zonas montanhosas a cerca de 400 a 500 metros, especialmente na Serra da Lousã, segundo a mesma fonte.

Como o frio se comporta

A intensidade do frio e a componente marítima ou continental dos fluxos de ar são determinantes para a extensão das neves. Se prevalecer um fluxo polar marítimo, a precipitação tenderá a concentrar-se nas serras. Se o bloqueio atmosférico se intensificar e as depressões tiverem maior componente continental, qualquer precipitação poderá resultar em nevões mais amplos, incluindo altitudes médias.

O frio tem impacto direto na saúde pública. A mortalidade em Portugal tem estado acima da média recentemente, com as autoridades de saúde a alertarem para o efeito combinado do frio e da atividade de vírus sazonais, fatores que podem aumentar a pressão sobre os serviços de saúde.

Previsões para fevereiro

Segundo o Luso Meteo, os modelos de longo prazo, incluindo o europeu, sugerem que as temperaturas continuarão abaixo da média na Península Ibérica durante as próximas semanas. A tendência indica que o frio se manterá, sobretudo nas regiões do interior e em altitudes médias e elevadas.

Quanto a fevereiro, as projeções sugerem uma possível tendência para dias mais secos e soalheiros. No entanto, a fiabilidade destas previsões a esta distância temporal é limitada, e a situação poderá mudar conforme evoluam os sistemas atmosféricos.

Leia também: Inverno rigoroso ‘ganha força’: saiba quando e onde vão ser os ‘piores’ dias da semana