Jonas Vingegaard e João Almeida medem forças na Volta à Catalunha e no Giro de Itália. O TopCycling foi a Espanha ouvir o líder da Visma Lease a Bike.
Vêm por aí mais duas batalhas entre Jonas Vingegaard e João Almeida, que depois de se enfrentarem no Algarve, no Paris-Nice e na Vuelta, na época de 2025, vão escrever mais um capítulo no grande livro das rivalidades atuais.
O dinamarquês apareceu renovado no Media Day da Visma Lease a Bike, que decorreu em La Nucía, na Comunidade Valenciana, e isso notou-se na postura corporal, na forma de comunicar com a imprensa e porque há coisas que se notam quando se está frente a frente com um atleta.
Olhos nos olhos, respondeu a tudo, e à pergunta do TopCycling, sobre se considera que já se pode falar em rivalidade com João Almeida, o campeão da Vuelta a Espanha não hesitou.
“O João é um dos melhores ciclistas do mundo. Vai estar muito forte no Giro. Vamos encontrar-nos também na Catalunha, por isso a preparação para o Giro será parecida. Há uma rivalidade, claro. Gosto de correr contra ele, é forte e bom tipo, gosto de conversar com ele.”
Jonas Vingegaard ao TopCycling.
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Foto: Unipublic Cxcling Creative Agency
Palavras simpáticas para o rival português
É curioso que na apresentação da UAE Emirates, em dezembro, ainda nem Jonas Vingegaard tinha confirmado a estreia no Giro e já perguntavam ao craque de A dos Francos o que tinha aprendido acerca do adversário na passada Vuelta.
A resposta de João Almeida foi clara: “Quando arranca, arranca. Também me pode surpreender, por isso temos que estar atentos. Mas o principal é estar forte, todos são batíveis e não tenho medo de ninguém.”
Por parte do dinamarquês, também houve palavras simpáticas para o rival português.
“É muito forte mentalmente, nunca quebra. Mesmo que um dia o faça descolar é duro abrir vantagem. Tens que lutar por isso. É o mais importante, a força mental dele e o facto de nunca desistir.”
Jonas Vingegaard ao TopCycling.
Será que à quinta João Almeida ganha mesmo o Giro de Itália?
Vingegaard e Van Aert vão liderar a Visma em 2026.
Foto: Bram Berkien
Dinamarquês não teve medo de elevar a fasquia
Claro que a grande rivalidade desta geração, nas Grandes Voltas, tem sido entre Jonas Vingegaard e Tadej Pogacar. Se tudo decorrer com normalidade, voltarão a encontrar-se no Tour de France.
O dinamarquês não teve medo de elevar a fasquia e tentar a dobradinha que o esloveno concluiu com êxito em 2024, o primeiro corredor desde Marco Pantani, em 1998, a ganhar Giro e Tour na mesma época,
Aos 29 anos, finalmente vai cumprir o sonho de correr a “Corsa Rosa”, depois de anos a convencer a Visma a fazer uma pausa na fórmula de sucesso encontrada para a preparação do Tour de France.
“Não digo que noutros anos não estava motivado, mas sinto uma nova energia que não sentia há anos. Vou ao Tour também mais motivado porque terei feito o Giro, a corrida que queria fazer. Às vezes precisas de coisas novas para aumentar a motivação. Depois de ganhar o Tour e a Vuelta, quero ganhar o Giro. Nos últimos cinco anos fiz quase sempre o mesmo calendário.
Jonas Vingegaard ao TopCycling.
Yates, à direita, ainda fez a sessão de fotos com o kit para 2026.
Foto: Bram Berkien
“O Simon Yates ia ter um papel muito importante no Tour”
O bicampeão do Tour, em 2022 e 2023, sabe que não pode entrar numa corrida a pensar na outra, mas a decisão foi meditada e resultou de dados prometedores.
Em 2023, por exemplo, Vingegaard venceu o Tour e foi 2º na Vuelta, resultados que inverteu em 2025 nas mesmas provas.
A favorecer o enlace Giro-Tour está ainda o facto de haver cinco semanas para recuperar, mais uma do que as habituais quatro semanas que separam Tour e Vuelta.
“O Tour é a maior corrida do mundo e o grande objetivo, mas também podemos ter outros objetivos equiparados e eu quero ganhar o Giro. Acredito que é possível ganhar ambos. Em 2023 fiz Tour e Vuelta, acabei 2º na Vuelta, mas estava até num nível superior ao do Tour. Fez-me logo pensar que era possível fazer Giro e Tour. Acreditamos que posso ser ainda melhor no Tour quando fizer o Giro; analisamos os watts de [2023] e vimos que não pioro, bem pelo contrário.”
Jonas Vingegaard ao TopCycling.
Em Itália vai contar com uma das caras novas da Visma, o italiano Davide Piganzoli, ex-Polti que fechou 12º na edição passada. Também Wilco Keldermann acompanhará Jonas Vingegaard.
Para o Tour as escolhas serão mais sensíveis, mas o reforço Bruno Armirail é um todo-o-terreno que vai ajudar em França. No entanto, há um elemento insubstituível, Simon Yates, que no Natal surpreendeu os colegas e a direção da Visma anunciando a retirada.
“É uma grande contrariedade para nós, o Simon Yates ia ter um papel muito importante no Tour, mas tenho muito respeito pela decisão dele porque não veio do nada. Perdeu a motivação e este desporto é duro, exigente, também para mim. Já estive perto do burnout. Levamo-nos ao limite, temos que estar sempre prontos para competir, corremos para ganhar, a pressão é maior sobre os corredores. Não atribuiria a culpa à equipa, também cabe aos corredores expressar à equipa quando é demais e pedir mudanças. Foi o que o Simon fez, pensou nele.”
Jonas Vingegaard ao TopCycling.
O facto de ter um calendário “magro” até maio não tem a ver com uma eventual sobrecarga mental, mas pelo facto de enlaçar Giro e Tour.
Um programa leve na primavera maximizará as probabilidades de um bom resultado na dobradinha, que durante anos ninguém se atreveu a tentar.
Após o Tour logo se vê. O dinamarquês sente que o Mundial tem um percurso apelativo, pelo que não descarta ir a Montreal, embora não se comprometa.
Confere o calendário de Jonas Vingegaard em 2026.
- UAE Tour
- Volta à Catalunha
- Estágio em altitude
- Giro de Itália
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