Mais tarde, após a resposta de Gouveia e Melo sobre o fato, fez questão de esclarecer que o camuflado foi oferecido por antigos combatentes: “Por alguma razão me ofereceram a mim e não a Gouveia e Melo, é sinal que sabem que sou o único candidato que lhes vai devolver a dignidade e fazer um ajuste de contas com uma história que os esqueceu e o único candidato patriota.”
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A pensar no passar de mais um ano, Ventura contou que deu por si a pensar no que faz um homem com 43 anos em plena campanha eleitoral no dia de aniversário e concluiu: “Não tinha sítio melhor no mundo para estar do que estar aqui. Estar a lutar por Portugal é a minha maior honra.”
Ao longo do dia tocou em vários e criticou as “picardias” entre candidatos que andou a evitar ao longo da campanha. “As eleições não valem pelo ego. Devíamos estar a falar do país”, alertou, frisando que “há adversários que estão nestas eleições para agradar a Luís Montenegro” e colocando-se noutro local: “Eu estou aqui para agradar aos portugueses.”
“Eu convidava Mendes e Cotrim a fazer isto: que se lixe Montenegro, eu quero o povo português”, disse, acusando os adversários de estarem a “pedinchar” o apoio de Montenegro. Há menos de uma semana, Ventura desafiava o primeiro-ministro a dizer o que faria nunca segunda volta entre si e um socialista, mas neste momento está mais focado em capitalizar votos.
“Escolher um candidato fora do sistema traz sempre riscos, mas PS e PSD falharam estes anos todos. Digo sempre: o que perdem em arriscar uma vez e em dar-me uma oportunidade?”, questionou Ventura, recuperando um slogan antigo e vincando que não dá para “mudar entre PS e PSD e ficarmo-nos a queixar no sofá”.
E defendeu-se contra os ataques dos rivais, das acusações de “fascismo e racismo”, e explicou: “Não queremos fazer retrocesso nenhum, não queremos ameaçar a Constituição, queremos ameaçar a corrupção generalizada que há neste país.” Para isso, o candidato a Belém continua “inútil votar em candidatos que dizem o mesmo há 50 anos, que não conseguem dizer nada sem ser generalidades ou que vão andar com Montenegro ao colo”.
“Este país já teve tempo demais de bandalheira. A partir de 18 de janeiro é tempo de ordem e espero ser o Presidente dessa ordem”, garantiu, frisando que “isso vai gerar reação aqueles que se habituaram a viver à conta do sistema”. “Esta mudança não será de nome, de cor nem de estilo, é uma mudança profunda com o país político.”
Mais do que isso, reiterou que “estar em primeiro [nas sondagens] não deve ser uma medalha, deve ser uma responsabilidade: pôr Portugal na ordem”. “Quero um país em que portugueses estejam em primeiro lugar”, reiterou, reforçando que o país continuará a ser cristão.
Ainda sobre o dia das eleições, fez um novo aviso: “Não basta ganhar sondagem, temos mesmo que ganhar e para isso no domingo é preciso votar. Se nos dão 24% é porque já estamos nos 30% provavelmente“, atirou Ventura, pedindo que não se desista por um “segundo” até à 00h de sexta-feira porque “nunca estivemos tão perto da mudança acontecer”.
Num dia marcado pelo aniversário, Ventura jurou: “Quero deixar-vos um compromisso de vida: não vou desistir, independentemente do que aconteça no domingo, até que esta mudança aconteça. É um compromisso de entrega da minha vida toda, é uma entrega total de vida a esta bandeira, não vou desistir seja contra adversários for ou a que sistemas instalados for.”
E puxou dos galões do patriotismo: “Se D. Afonso Henriques me estiver a ver agora gostava que sentisse que nós somos outra vez esse espírito de viver ou morrer, mas que é esse espírito que está em primeiro lugar.