No comentário desta quinta-feira na 5.ª Coluna, Miguel Sousa Tavares considera que as ambições de Donald Trump representam um risco para a estabilidade internacional e para os próprios interesses europeus
Miguel Sousa Tavares considera que a situação no Irão é “terrível” e que parte do número de mortos foi incentivado por declarações recentes do presidente norte-americano. O comentador refere que o verdadeiro significado da frase “a ajuda está a caminho” é “Judas está a caminho e vamos derrubar o vosso regime”. Descarta ainda qualquer semelhança entre o país do Médio Oriente e a Venezuela: “o Irão não é um passeio em Caracas, é completamente diferente. É um país de 92 milhões de habitantes e o 18.º maior do mundo”.
“Mas que país é este que se arroga o direito de atacar navios em alto mar, de dizer para onde é que um país terceiro pode ou não pode exportar e de reduzir outro ao blackout energético? Com que direito?”, questiona.
Miguel Sousa Tavares dedicou ainda parte do seu comentário à Gronelândia. Considera que se Trump “resolve ocupar” o território ártico, “abre uma guerra com os seus aliados da NATO”.
Questionado sobre se ainda será possível à aliança fazer alguma coisa para travar essa ambição, o comentador responde que sim, mas que para isso é preciso “correr com aquele fantoche do Mark Rutte”. Miguel Sousa Tavares considera a postura do secretário-geral da NATO demasiado alinhada com Washington, DC e apela a uma estratégia europeia mais robusta e menos submissa a pressões externas.
O comentador separa claramente a figura de Trump do país que lidera. “A Europa tem de perceber que o seu grande adversário neste momento são os Estados Unidos de Trump, não os Estados Unidos enquanto nação de 300 milhões de pessoas”.
Como possíveis respostas europeias a estas tensões, Miguel Sousa Tavares sugere medidas económicas como sanções contra membros do círculo político de Trump, alguns congressistas e responsáveis militares ou de inteligência, bem como uma revisão mais rigorosa da atuação e regulação das multinacionais americanas na Europa, incluindo o setor tecnológico.
“Há muita coisa que se pode fazer. É preciso coragem, e sobretudo não ficar a tentar apaziguar o monstro porque o monstro está à solta completamente. Ele faz o que quer e está entusiasmado com as suas próprias conquistas”, alerta o comentador.