As novas funcionalidades visam dar aos pais maior controlo sobre a experiência de visualização dos jovens, incluindo ferramentas inéditas para gerir o tempo passado a consumir vídeos curtos na plataforma.

O YouTube anunciou a expansão dos seus controlos parentais em Portugal e noutros países, juntamente com a introdução de novos princípios de qualidade para o conteúdo recomendado a adolescentes.

Segundo o serviço de streaming, em comunicado enviado às redações, os pais passam a poder definir a quantidade de tempo que os adolescentes podem passar a percorrer o feed de “Shorts”, incluindo a possibilidade de estabelecer o limite em zero minutos.

Esta opção permite, por exemplo, restringir o acesso ao feed de vídeos curtos em momentos dedicados aos trabalhos escolares ou ajustá-lo em contextos específicos, como viagens mais longas. Os pais poderão ainda configurar lembretes personalizados de “Hora de dormir” e “Fazer uma pausa”, com base nas proteções de bem-estar já existentes para adolescentes.

Outra das novidades anunciadas prende-se com a simplificação do processo de criação e gestão de contas. O YouTube passa a permitir configurar uma conta de criança ou adolescente e alternar entre perfis familiares na aplicação móvel com apenas alguns cliques, facilitando o acesso a experiências de visualização adequadas à idade de cada utilizador.

Em paralelo, a plataforma revelou novos princípios de qualidade para conteúdos destinados a adolescentes, desenvolvidos em colaboração com o Center for Scholars & Storytellers da UCLA e apoiados por especialistas da University College London, da American Psychological Association e do Boston Children’s Hospital. Estes princípios vão orientar o sistema de recomendação do YouTube, promovendo conteúdos considerados adequados à idade, informativos e enriquecedores, de criadores internacionais selecionados.

Dr. Garth Graham, Global Head of YouTube Health, afirmou que “acreditamos na proteção das crianças no mundo digital, e não do mundo digital”, sublinhando a importância de disponibilizar ferramentas eficazes que permitam aos pais definir regras para as experiências online das suas famílias.

De acordo com um novo estudo citado pela plataforma, 77% dos pais da União Europeia que utilizam contas supervisionadas do YouTube consideram que o conteúdo visualizado pelas crianças e adolescentes é adequado à idade, enquanto 73% afirmam que estas ferramentas lhes dão maior confiança num ambiente digital mais seguro.

Em conjunto com os novos princípios de qualidade, o YouTube lançou também um guia para criadores, desenvolvido com o Comité Consultivo de Jovens e Famílias da plataforma e apoiado pela Save the Children International. Rebecca Smith, Global Head of Child Protection da organização, destacou que o guia pretende dotar os criadores de conhecimento e ferramentas para promover experiências digitais mais seguras e informadas.

O professor Peter Fonagy, responsável pela Divisão de Psicologia e Ciências da Linguagem da University College London, sublinhou que o conteúdo online pode ter impactos positivos e negativos na saúde mental dos jovens, considerando que os novos princípios oferecem um enquadramento prático e baseado em investigação para a criação de vídeos adequados ao desenvolvimento dos adolescentes.