Cassio Nunes / adobe.stock.comPraia do Rosa (na foto) fica no município de Imbituba.Cassio Nunes / adobe.stock.com

Febre, tosse e dor de garganta e no corpo são alguns dos sintomas do apelidado “Rosa vírus”. O termo ganhou repercussão no TikTok, em vídeos e comentários de pessoas que relatam terem ficado doentes após passarem o fim de ano na Praia do Rosa, em Santa Catarina.

A praia fica no município de Imbituba, a quase 400 quilômetros de Porto Alegre. Conforme a Secretaria de Saúde do município, não há suspeita de surto de alguma doença gripal na região. 

Entre 29 de dezembro e 12 de janeiro, as unidades básicas de saúde atenderam quatro pacientes com algum tipo de influenza na região da Praia do Rosa e Ibiraquera. No município de Imbituba como um todo, foram 40 pacientes. O número, porém, não está fora da normalidade, segundo a secretaria.

Há quem tenha tido sintomas, mas não tenha buscado ajuda médica na região, como foi o caso do estudante de Psicologia Gustavo Zimmer, 25 anos. Ele foi a uma consulta após voltar para Feliz, no Vale do Caí, onde mora.

Gustavo conta que esteve na Praia do Rosa de 28 de dezembro a 4 de janeiro e que os sintomas apareceram no dia 2, após ir a festas. Em tom bem humorado, ele publicou um vídeo no TikTok, falando sobre o “Rosa vírus”.

— Depois que eu postei o vídeo, vi muita gente comentando que as pessoas que foram se consultar no médico tiveram covid-19, influenza ou início de pneumonia — relata a Zero Hora.

Ele não teve diagnóstico de nenhuma das doenças, mas diz ter ficado ao menos oito dias se sentindo mal e fraco. Entre os sintomas, teve dor de cabeça e de garganta, além de febre. Agora, afirma estar apenas com tosse. No grupo de amigos com quem estava na praia, pelo menos outros dois tiveram sintomas parecidos.

Quem também compartilhou um relato no TikTok foi a Social Media Stephanni Fuhrmann, 26 anos, de Florianópolis. Ela recebeu o diagnóstico de H1N1, após sentir dores no corpo, febre e tosse. 

Stephanni esteve na Praia do Rosa entre 28 e 30 de dezembro. Ela conta que os sintomas surgiram no dia 1º de janeiro e duraram, de forma mais intensa, por quatro dias. Segundo ela, ao menos sete amigos que também estavam na Praia do Rosa tiveram sintomas semelhantes. A Social Media buscou atendimento médico online e, após, presencial, já em sua cidade.

A estudante de Pedagogia Jessica Luiza Lorscheiter, 21 anos, de Porto Alegre, compartilha teve a mesma experiência. Ela ficou na Praia do Rosa de 28 de dezembro a 4 de janeiro, dia em que começou a se sentir mal:

— Primeiro, foi a garganta coçando e a dor nas juntas. Só que eu achei que fosse uma gripe normal. Mas foram passando os dias e a febre começou a ficar muito alta, não baixava de 38,5ºC. Comecei a ter muita dor no corpo, muito calafrio e tosse.

Jessica contou ainda que ficou ruim por cerca de uma semana e que ainda está com tosse. Ela não chegou a consultar um médico ou realizar testes que comprovassem alguma doença, apenas tratou os sintomas em casa. 

🤧 “Gripe” no verão? Sim!

Sem uma avaliação médica geral, não é possível saber exatamente qual vírus pode ser o causador dos sintomas relatados nos vídeos. 

O médico infectologista Rodrigo Douglas Rodrigues, que atua no Serviço de Controle de Infecção do Hospital da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), afirma também não ter tido conhecimento de notificação ou alerta epidemiológico na região sobre algum possível surto.

Ele explica que os sintomas descritos são comuns a diversas viroses respiratórias, como influenza, covid-19 e até mesmo outras que acabam não sendo identificáveis em testes simples, como rinovírus, adenovírus, metapneumovírus, bocavírus e enterovírus. 

Segundo o especialista, esses são vírus transmitidos principalmente por gotículas eliminadas durante a respiração. As aglomerações e o compartilhamento de itens facilitam a propagação:

— Se você tem pessoas resfriadas, algo que pode existir nessa época do ano, e esse comportamento de aglomerado, de estar todo mundo junto nas festas, dividir pequenos espaços, às vezes com um monte de gente na mesma casa, dividir copo e eventualmente itens de higiene, acaba facilitando a transmissão e passando para um grande grupo de pessoas.

Rodrigo explica que os vírus respiratórios circulam o ano inteiro. No verão, são mais comuns os causadores de gastroenterite, que costumam afetar estômago e intestino. Mas até mesmo alguns desses podem causar sintomas respiratórios.

⚠️ Que cuidados tomar?

  • Evitar ambientes pequenos com grande número de pessoas e pouco ventilados
  • Fazer higienização frequente das mãos
  • Evitar compartilhar copos, toalhas e itens de uso íntimo
  • Evitar consumo de água sem procedência e banhos em áreas consideradas impróprias

⚠️ O que fazer ao ter sintomas?

  • Em caso de sintomas, ficar em casa e não transitar entre outras pessoas, evitando que o vírus seja transmitido
  • Se tiver doenças crônicas e sentir algum sintoma gripal, a orientação é buscar atendimento médico
  • No caso de pessoas sem comorbidades, é possível tratar apenas os sintomas, com hidratação e medicamentos para dor e febre 
  • Mas, se houver falta de ar, confusão mental, sonolência intensa, pressão arterial baixa ou aumento da frequência respiratória, é importante ir atrás atendimento de emergência para avaliação