A aguardada reunião entre Xi Jinping e Mark Carney resultou na formalização da reaproximação entre a China e o Canadá, através de um novo acordo comercial. O encontro teve lugar esta sexta-feira, 16 de Janeiro, em Pequim, após meses de cautelosa, mas rápida aproximação.

A curta visita do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, à China culminou hoje no encontro com Xi Jinping, de onde saiu uma parceria renovada após quase uma década de tensão entre os dois países. Carney anunciou o estabelecimento de um acordo comercial preliminar com a China, baseado na redução das tarifas sobre veículos eléctricos chineses e produtos agro-alimentares canadianos.

O Canadá abrirá portas à entrada de até 49.000 veículos eléctricos chineses com uma tarifa de 6,1%, valor contrastante com a até agora imposta tarifa de 100% sobre os mesmos veículos. Estas tarifas foram uma das principais razões do afastamento entre os dois países, durante o governo liderado pelo antigo primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau.

O novo acordo engloba também a redução de tarifas sobre certos produtos alimentares, com destaque para as sementes de colza canadianas, cuja exportação para a China representa um mercado de 4 mil milhões de dólares, diz Carney.

Para além destas duas áreas, foram ainda assinados acordos nas áreas da silvicultura, cultura e turismo, e discutido o alargamento da parceria ao armazenamento e produção de energia limpa e à venda de combustíveis fósseis canadianos.

Sobre a clara reaproximação entre os dois países, Carney dirigiu-se a Xi dizendo: “Juntos, podemos aproveitar o melhor do que esta relação já foi no passado, para criar uma nova, adaptada às novas realidades globais”.

Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, os dois países comprometeram-se ainda em dar continuidade ao diálogo e a expandir a parceria a mais áreas.

Em oposição a esta aproximação, as relações de Otava com Washington degradam-se, dada a recente aplicação de tarifas sobre os produtos canadianos e o discurso sobre a anexação do território iniciado por Donald Trump. Este fenómeno geopolítico parece ser uma tendência em ascensão. Segundo o inquérito do European Council on Foreign Relations, Pequim é quem mais beneficia do declínio da confiança mundial nos EUA.

Apesar de actualmente os Estados Unidos da América serem de longe o maior parceiro comercial do Canadá, seguidos pela China, os números podem inverter-se à medida que a reaproximação entre os dois países evolui.

Texto editado por Ivo Neto