Ambos os países prometeram eliminar as barreiras comerciais e, ao mesmo tempo, reforçar novos laços estratégicos.


O acordo foi anunciado na sexta-feira, durante a visita de Carney a Pequim.


O presidente norte-americano, Donald Trump, reagiu aplaudindo a iniciativa canadiana.




“É isso que ele deveria estar a fazer. É bom para ele assinar um
acordo comercial. Se conseguir um acordo com a China, deve fazê-lo”,
disse Trump aos jornalistas na Casa Branca. As tarifas sobre a canola, ou colza, deverão baixar para 15 por cento a partir de 31 de março.


O Canadá, que tem na China o seu segundo maior parceiro comercial a seguir aos Estados Unidos, assinou o acordo após meses de esforços diplomáticos.

Carney defendeu a “nova parceria estratégica” como forma de adaptação às “novas realidades globais” e promotora de “estabilidade, segurança e prosperidade” para ambos os países e para a Ásia-Pacífico.

As “novas realidades globais” referem-se às políticas de tarifas do presidente norte-americano, Donald Trump, que têm afetado tanto a China, como o Canadá, e que tem levado vários países a promoverem aproximações à China. 


O primeiro-ministro canadiano destacou que a China é um parceiro “mais previsível” do que os Estados Unidos.


A nova parceria sino-canadiana inclui-se numa estratégia do governo de Carney, que visa “duplicar o comércio fora dos Estados Unidos nos próximos dez anos”, explicou a ministra canadiana dos Negócios Estrangeiros, Anita Anand. 


Mais de 75 por cento das exportações canadianas têm como destino os Estados Unidos.

De 100 para 6,1 por cento

Inicialmente, o Canadá irá permitir a entrada de até 49.000 veículos elétricos chineses com uma tarifa de 6,1 por cento, com base no princípio da nação mais favorecida, revelou Carney após conversações com líderes chineses, incluindo o presidente Xi Jinping. Não especificou um período de tempo.”Este é um regresso aos níveis anteriores às recentes fricções
comerciais, mas sob um acordo que promete muito mais para os
canadianos”, disse Carney aos jornalistas.

Em 2024,o então primeiro-ministro canadiano, ustin Trudeau, tinha imposto tarifas de 100 por cento sobre os veículos elétricos chineses, após sanções semelhantes dos EUA. 

Em 2023, a China exportou 41.678 veículos elétricos para o Canadá.

Trudeau justificou então a sua tarifa alegando os fabricantes chineses beneficiavam de subsídios estatais, o que consistia uma vantagem injusta no mercado global, ameaçando os produtores nacionais.

Esta sexta-feira, Mark Carney expremiu um entendimento diferente.

“Para que o Canadá possa construir o seu próprio setor de veículos elétricos competitivo, teremos de aprender com parceiros inovadores, aceder às suas cadeias de abastecimento e aumentar a procura local”, disse Carney.

Setor canadiano aponta erros 

O primeiro-ministro canadiano destacou uma parceria mais forte com a China no armazenamento e produção de energia limpa, impulsionando novos investimentos.

Doug Ford, primeiro-ministro de Ontário, a principal província canadiana produtora de automóveis, queixou-se de que a China tem agora uma base no Canadá e pretende tirar partido disso.

O governo federal está a convidar uma enxurrada de veículos elétricos baratos fabricados na China sem qualquer garantia real de investimentos equivalentes ou imediatos na economia, no setor automóvel ou na cadeia de abastecimento do Canadá”, disse numa publicação no X.


“Dia positivo” para a agricultura

O primeiro-ministro de Saskatchewan, Scott Moe, acompanhou de perto o acordo comercial com a China, que considera ser um “dia positivo” para a agricultura canadiana.

Moe estave sentado ao lado do primeiro-ministro Mark Carney quando os membros do gabinete federal se reuniram com as autoridades chinesas esta semana.


Carney afirmou que Otava espera que Pequim reduza as tarifas sobre as sementes de canola/colza  – cujo óleo é usado na culinária e biodiesel – para 15 por cento até março, numa contrapartida à abertura aos veículos elétricos chineses.


A farinha de canola canadiana, as lagostas, os caranguejos e as ervilhas deixarão de estar sujeitos às tarifas “antidiscriminatórias” chinesas a partir de março até, pelo menos, ao final do ano. 


Não houve qualquer menção ao óleo de canola.