Papel, caneta, lápis e um tablet. É tudo que o Gustavo Moraes Palmeira — ou melhor, GuDraws — precisa para colocar seu talento em prática. Aos 11 anos, o garoto impressiona qualquer um com seus desenhos por observação. Basta selecionar as referências para surgir mais um novo desenho, sempre nascidos completamente de sua imaginação.
Há quem diga que os talentos são dons, mas, muitas vezes, são relações construídas. A arte, para Gustavo, começou desde o berço: com um pai escultor, a inspiração artística foi algo que surgiu naturalmente. “Ele ser escultor é uma coisa natural para o meu dia a dia. É como comer, é uma rotina”, comenta o menino sobre a influência ao Metrópoles.
Como tudo começou
Com o garotinho ainda bebê, o pai começou a incentivá-lo a desenhar. Era, de fato, como parte da rotina: todos os dias, Marcelo, o pai, estendia folhas de papel em cima da mesa e eles desenhavam juntos. O que começou como alguns rabiscos abstratos tomou formas de dinossauros e homens-árvore.
Quando Gu estava com cerca de três anos, Marcelo passou a reparar que ele já conseguia observar objetos, ou imagens, parte por parte para replicar por inteiro. E foi exatamente isso que, oito anos depois, garantiu todo seu repertório imaginário.
“Isso proporciona referência para criar os próprios animais e dinossauros. Como ele já desenha por observação há oito anos, para alguém que tem 11, isso é uma coisa notável”, diz o pai.
O processo de criação
Cada artista tem seu jeito único de buscar inspiração. Para criar, o garoto comenta que, atualmente, “já tem aquilo na mente”. Ou seja, a partir das referências de tantos anos de observação, ele junta pequenos detalhes de um animal para desenhar outro completamente de sua memória.
Marcelo também conta sobre um episódio recente, quando estavam viajando e ele decidiu ensiná-lo a desenhar uma folha. “Sem olhar para o papel, o olho dele foi percorrendo a margem da folha e a mão foi registrando. Ele conseguiu fazer muito bem de primeira.”

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O menino cria personagens a partir da própria imaginação
Marcelo Palmeira/Arquivo
Um dos desenhos feitos sem referência por Gustavo
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Marcelo, o pai, incentivou o filho desde bebê
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Muitas vezes, Gustavo utiliza características de um animal em outro
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São oito anos de prática
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Segundo o pai, o mais legal sobre o talento do filho é que ele desenha de tudo. “Eu entro no quarto e ele está ali desenhando um lagarto, aí depois faz uma paisagem.” Ao perguntar para Gu qual é a referência do momento, a resposta é quase sempre a mesma: “É da minha cabeça”.
Muitos pais e filhos partilham o gosto em comum pelo futebol. Já para Gustavo e Marcelo, a televisão da sala costuma ser ocupada pelos artistas favoritos. Juntos, eles os assistem enquanto criam os próprios desenhos. Aaron Blaise, Kim Jung Gi e Jess Karp foram algumas das principais referências citadas por Gustavo em entrevista ao Metrópoles.
Dos dinossauros às capivaras astronautas
Ao ser perguntado sobre os personagens que já “deu vida”, o artista mirim contou sobre exemplos para lá de criativos. “Eu e meu pai estávamos desenhando muitas letras de grafite. Vendo na rua, os jovens grafiteiros faziam os personagens deles muito jovens. Eu decidi mudar um pouco isso, aí eu fiz um velhinho, um vovô que grafita.”
Entre outros personagens grafiteiros, Marcelo também falou sobre dois pombinhos e uma raposa que os persegue. “Um pombo tem o ‘bonézinho’ virado para trás e o outro tem uma touca, ele está sempre com a mão fazendo um joia”, descreve.
Como a imaginação não tem limites, Gustavo menciona ainda uma capivara com roupa de policial e outra com roupa de astronauta. Sobre os dinossauros, muito comuns em suas criações, ele explica que segue um padrão mais voltado aos personagens de cartoon. O estilo de gibi também entra na lista de referências.
“Às vezes, em uma folha, faço cinco ou seis quadros. Eu conto uma história do começo ao fim com aqueles mesmos personagens, crio várias coisas e vários tipos de pessoas”, pontua.
O futuro começa no agora
Sempre guiado pelo processo que marcou sua trajetória desde cedo, o garoto usa seu conhecimento para transformar a imaginação em projetos maiores, como livros e histórias completas.
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Gustavo viralizou nas redes pelo talento
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As capivaras são parte do repertório
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Gustavo, muitas vezes, se inspira em acontecimentos cotidianos
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“Apesar de parecer muito jovem para a maioria das pessoas, eu tenho um repertório muito grande de observação, não é só desenho aleatório”, lembra.
No momento, o desenhista divide o tempo entre diferentes criações. Uma delas é um livro em formato de gibi, inspirado em histórias de orcs que vivem no deserto. Outro nasce de uma ideia ainda mais inusitada, um quadrinho sobre uma barata de estimação — chamada Michael, a personagem foi criada a partir de uma experiência pessoal.
Mais do que planos distantes, o futuro de Gustavo parece acontecer no presente. Entre folhas de papel, lápis e histórias que começam a tomar corpo, ele segue fazendo o que sempre fez: observando, desenhando e criando. O tempo, para ele, não é uma promessa, é apenas mais um espaço para continuar contando suas próprias histórias.