Ambição que será praticamente impossível de alcançar no curto prazo pois o intervalo entre a compra e a entrega desse material é de “sete anos, já que há muita procura na Europa”. Uma hipótese afastada é a aquisição de comboios à China, pois “há um problema de certificação”.
Compradas já estão duas carruagens à espanhola Renfe, mas estas só deverão estar operacionais no segundo semestre de 2027. “Estão em fase de adaptação e depois há a necessidade de certificação”, adiantou Paulo Silva que, todavia, lembra o facto de cada uma destas carruagens transportar 380 passageiros, muito pouco para as necessidades de uma ligação procurada por cerca de 50 mil passageiros no período da manhã.
55 mil minutos de atrasos em 2025
“Colocaram a tónica muito na IP, pois há percursos que os comboios faziam a 90 k/h e agora têm de ser feitos a 10 k/h. Logo fazem com que se acumule mais pessoas nas estações. E avançaram que a única solução a curto prazo é a IP fazer obras na infraestrutura para se poder regressar à velocidade anterior”, adianta o presidente da Câmara do Seixal.
O autarcaacrescenta um outro dado fornecido pela administração da Fertagus: “Em 2022 tiveram seis mil minutos de atraso [nos horários] e que em 2025 esse atraso foi de 55 mil minutos”. Tudo por causa da IP, segundo a Fertagus.
Perante a falta de soluções, à autarquia – que tal como a comissão de utentes tem denunciado a sobrelotação dos comboios – resta “não cruzar os braços”. “Vamos manter a pressão e a luta. E continuar a dar apoio aos utentes que se uniram em torno de uma petição pela melhoria do serviço”.
Paulo Silva lembra que a ligação a Lisboa também pode ser efetuada por barco – há terminais em Cacilhas (Almada) e no Seixal -, sendo que esta tem margem para crescer. “Os barcos (da ligação Seixal-Lisboa) têm uma taxa de ocupação de 50% e as queixas dos utentes têm diminuído. E a câmara tomou conta do parque de estacionamento para que seja gratuito”.
No respeitante a transportes públicos no concelho, lembra ainda a falta da “extensão do metro sul do Tejo à estação de Foros da Amora, uma obra prevista no contrato de concessão, mas o Governo só fala da extensão à Costa da Caparica”.