A nova orientação impede a comunicação com ‘agitadores’ durante as operações: oficiais devem procurar apenas os imigrantes com acusações ou condenações criminais. Trump diz que quer diminuir a tensão.

U.S. President Donald Trump participates in a bilateral meeting with Finland’s President Alexander Stubb (not pictured), in the Oval office at the White House in Washington, D.C., U.S., October 9, 2025. REUTERS/Nathan Howard TPX IMAGES OF THE DAY

Os Agentes do ICE em Minnesota foram orientados para evitarem envolver-se com “agitadores” quando realizam operação de busca de imigrantes, adianta a agência Reuters. A nova diretiva, que surge depois de tiroteios fatais sobre cidadãos norte-americanos que protestavam contra as ações do ICE em Minneapolis, também determina que os agentes do Serviço de Imigração e Alfândega procurem apenas em imigrantes que tenham acusações ou condenações criminais. É uma rutura com as operações que provocaram reações negativas e desafios legais em Minneapolis e noutras cidades dos Estados Unidos.

“NÃO COMUNIQUE NEM SE ENVOLVA COM AGITADORES”, dizia um e-mail divulgado por um alto funcionário do ICE. “Não serve outro propósito além de inflamar a situação. Ninguém vai convencer o outro. A única comunicação deve ser dos oficiais que dão ordens”, refere o mail divulgado pela agência. Em resposta a um pedido de comentário à Casa Branca, um funcionário do governo disse à Reuters que “há conversas em andamento sobre como conduzir as operações da forma mais eficaz em Minnesota. Nenhuma orientação deve ser considerada final até que seja oficialmente emitida.”

A mudança operacional ocorre depois de o presidente ter dito esta semana que pretendia “desescalar” as tensões em Minneapolis e St. Paul, posição que tomou já depois de os agentes federais de imigração terem matado dois cidadãos norte-americanos. Em ambos os casos, os mortos foram dados oficialmente como agressores, uma afirmação desmentida por evidências em vídeo.

Trump encarregou o chamado ‘czar da fronteira’, Tom Homan, para assumir as operações em Minnesota, o que é considerado uma mudança para uma abordagem mais “direcionada” na fiscalização. O comandante-geral da Patrulha de Fronteira, Gregory Bovino – que liderou buscas em Los Angeles e Chicago e que resultaram em confrontos – foi retirado e será em breve passado à reforma.

A nova orientação para a atuação do ICE é escrita por Marcos Charles, o principal funcionário da divisão de Fiscalização e Operações de Remoção do ICE. “Estamos a avançar para a aplicação direcionada a estrangeiros com histórico criminal”, dizia o texto do referido mail. “Isso inclui prisões, não apenas condenações. TODOS OS ALVOS DEVEM TER UM NEXO CRIMINOSO”.

Sob a administração do ex-presidente Joe Biden, os oficiais do ICE eram obrigados a focar-se apenas na captura de criminosos, mas o governo Trump revogou essa política, permitindo que a organização prendesse não criminosos sem restrições.