Mobilização de fundos do PRR e apoio militar

Perante a urgência da reconstrução, o Chefe de Estado defendeu o recurso imediato a fundos europeus, ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e ao reforço de verbas de emergência. Marcelo Rebelo de Sousa destacou também o papel das Forças Armadas, que estão agora a arrancar com operações de alojamento e alimentação em colaboração com a Proteção Civil.

“O poder local é aquele que está mais próximo e tem melhores condições para agir. É preciso dar meios ao poder local e encontrar respostas”, defendeu, reiterando que o esforço será “muito mais longo do que se pensava”.

À medida que o presidente e a ministra se aproximavam do Terminal Rodoviário de Leiria, completamente destruído pela tempestade Krestin, vários jovens foram-se juntando ao grupo de jornalistas e seguranças que ladeavam ambos os responsáveis. Desta vez, porém, não houve momento para selfies.

Dentro do terminal rodoviário, Marcelo foi convidado a avaliar a dimensão dos estragos, numa altura em que a ausência de energia elétrica no edifício não facilitou a vida à mais alta figura do Estado, que contou, no entanto, com a ajuda da iluminação dos repórteres de imagem.

Ao seu lado, Maria Lúcia Amaral manteve o silêncio, interrompido apenas para alguns comentários mais privados com o Presidente.

Com a ameaça de novo agravamento do estado do tempo no próximo domingo e o risco iminente de inundações nas bacias hidrográficas devido ao caudal vindo de Espanha, o Presidente apelou à vigilância máxima. “O processo não terminou. Se amanhã se verificar que há uma confirmação de agravamento, a Proteção Civil tem de tentar pôr a salvo o maior número de pessoas”, alertou.

Foi à saída do terminal rodoviário, quando já alguns populares tinham dado pela presença de Marcelo Rebelo de Sousa, numa das suas últimas aparições enquanto Presidente da República, que os ânimos se exaltaram um pouco mais, confirmando a preocupação do presidente da Câmara de Leiria, já partilhada com Marcelo logo após a sua chegada: a população começa a acusar cansaço e ansiedade, não apenas pelo que passou mas pelas soluções que parecem tardar.

Um dos habitantes de Leiria ergueu a voz para perguntar ao Presidente da República por que razão a sua visita só aconteceu três dias após a hecatombe, acusando Marcelo e Maria Lúcia Amaral de terem “esquecido Leiria. Porque é que só vieram cá agora, com jornalistas?”, lamentou.

O presidente e a ministra saíram do local, sem responder e, acompanhados das suas equipas e de elementos da Câmara Municipal de Leiria, seguiram viagem para tentar, já noite cerrada, ter conhecimento dos estragos já noutros pontos do concelho.

Em Leiria, a luz do Castelo da cidade, que chegou a estar iluminado ao fim da tarde, apagou-se pouco depois, lembrando, talvez, que a energia elétrica ainda é um bem muito valioso e raro. E enquanto o centro da capital de distrito consegue já viver sob alguma normalidade – ao fim do dia já havia comunicações móveis, eletricidade e alguma água -, nas freguesias em redor, os próximos dias deverão continuar a ser de angústia. Para além da ausência de comunicações, água e tréguas no mau tempo, que podem agravar os estragos ainda não resolvidos, falta também energia elétrica. Ou uma luz para devolver um pouco de esperança.