Todo o continente está já sob aviso amarelo para chuva intensa a partir do final da noite de domingo e durante toda a madrugada de segunda-feira. O alerta vale também para vento forte, mar agitado e até neve em alguns distritos. Resultado não de uma grande tempestade com direito a nome, nascida dentro do corredor que está a gerar e a encaminhar todo o mau tempo para Portugal. Mas de uma grande surperfície frontal, uma frente fria, que se formou exatamente na margem desse canal, entre essa massa de ar, fria, e outra, mais quente, que se situa logo abaixo. É apenas o primeiro de vários episódios de precipitação forte desta (e da próxima) semana que levam a que já se fale no tempo das monções na Península Ibérica.

Nos primeiros dias de um qualquer fevereiro de um qualquer inverno, esta frente, com a chuva e vento que traz, e os avisos que deles decorrem, seriam apenas típicos do inverno. Mas depois dos dias de chuva consecutivos trazidos pelas tempestades das últimas semanas (Ingrid, Joseph, e depois a destruidora Kristin), com as terras saturadas e os caudais das barragens a deixarem os dos rios nas cotas máximas, só o que vai chover entre o final da noite de domingo e a madrugada e dia de segunda-feira é mais do que suficiente para deixar todos em alerta total. Porque, além de cheias, a acumulação de chuva pode ser mesmo muito significativa em alguns locais e as derrocadas de terras e infraestruturas podem verificar-se em muitos distritos.

O IPMA colocou sob aviso amarelo os 18 distritos do continente para chuva intensa. Como a frente entrará pela zona norte, os alertas começam às 15h00 de domingo e terminam às 6h00 da manhã de segunda-feira em seis distritos: Viana do Castelo, Braga, Porto, Viseu, Aveiro e Vila Real; Coimbra fica sob alerta das 18h00 às 6h00; Leiria, Lisboa, Santarém, Castelo Branco e Bragança, das 21h00 às 6h00; e Portalegre, Setúbal, Évora, Beja e Faro, das 00h00 às 6h00 da manhã. A chuva poderá chegar em forma de granizo e acompanhada de trovoada, nas regiões norte e centro.

Além de chuva, há também avisos amarelos de neve para oito distritos, ao longo do dia de segunda e terça-feira: Castelo Branco, Guarda, Viseu, Bragança, Vila Real, Porto, Braga e Viana do Castelo (alguns vão das 6h00 da manhã de segunda-feira às 7h00 de terça; outros começam apenas ao meio dia).

Avisos ainda para o vento e agitação marítima para todos os distritos do litoral, sendo que o vento chegará primeiro, na madrugada de segunda-feira, e a agitação marítima depois, na madrugada de terça. As rajadas serão de 80 km/h no litoral oeste e até 100km/h nas terras altas, e são amarelos. E a agitação marítima será forte na costa ocidental, com ondas de noroeste até 8 metros, podendo atingir os 15 metros de altura máxima, pelo que os alertas terão a cor laranja.

Todas as ilhas dos Açores estão também sob alerta amarelo para vento forte e agitação marítima. Já a Madeira tem a costa laranja para agitação marítima.

E, depois de segunda-feira, o padrão meteorológico vai manter-se. Este corredor por onde estão a circular todas estas depressões e tempestades vai manter-se não só muito ativo durante esta semana, como até meio do mês de fevereiro. O próximo dia crítico deverá ser quarta-feira, quando estiver completamente formado um enorme rio atmosférico com origem nas Caraíbas (República Dominicana), carregado de vapor de água, o que agravará ainda mais a chuva. Seguir-se-á depois um novo episódio, que pode tornar-se complicado, mas que está apenas ainda em formação, apontado para o fim de semana eleitoral, sábado, 7, ou domingo, 8.

Portugal encontra-se sob a influência de uma circulação zonal intensa do oeste, desde a Gronelândia, que, associada à corrente de jato, favorece a passagem sucessiva de sistemas depressionários. Ou seja, com a posição do jato polar, jet stream, oscilante sobre o Atlântico e em latitudes muito baixas, devido a um bloqueio entre as Islândia e os países nórdicos, forma-se uma espécie de canal que canaliza várias depressões em direção à Península Ibérica. E também massas de ar frio.

Como este padrão atmosférico não mostra qualquer sinal de mudança de acordo com os modelos meteorológicos, é possível já dizer, com algum grau de certeza, que a próxima semana será muito chuvosa, devido à continuação da influência desta corrente de oeste e à passagem de sistemas frontais associados a depressões. Está prevista chuva para todo o país em todos os dias da semana que aí vem, com maior incidência nas zonas norte e centro (pode ser superior a 115 mm nalguns locais). E para a semana que vem não será muito diferente.