“Estamos muito preocupados com o Mondego”, disse a ministra do Ambiente esta segunda-feira, sendo este o rio que mais preocupa as autoridades neste momento. Mau tempo volta a atacar em força na quinta-feira ao final da manhã.

Depois da tempestade… mais chuva. Portugal vai continuar sob chuva intensa nos próximos tempos. O país vai mesmo assistir a chuva recorde nas próximas duas semanas, avisou hoje a ministra do Ambiente e da Energia.

“Estamos à espera nos próximos 15 dias de um conjunto de chuva que nunca foi registado em Portugal desde que há registo”, disse Maria da Graça Carvalho esta segunda-feira apontando para 600 milímetros de chuva.

“Depois da frente de mau tempo esta noite, vamos voltar a ter pior na quinta-feira ao fim da manhã. Temos que ter maior encaixe possível nas barragens para evitar problemas”, defendeu em conferência de imprensa.

Recordou que o mês de dezembro já foi chuvoso e que janeiro registou 150% do volume de chuva habitual, com o solo muito ensopado e com a neve em degelo a juntar ainda mais água.

A chuva sem parar de dezembro e janeiro, a par da tempestade Kristin, obrigou várias barragens a descarregar água nas últimas para acomodar a nova água a entrar.

A ministra apontou que têm sido feitas descargas desde há três semanas para melhor acomodar a vaga de precipitação que estava prevista.

“Tudo isto são fatores que se somam de risco face a estas condições. Durante o último fim de semana descarregamos muito, provocou pequenas cheias mas controladas. Não tivemos grandes efeitos, havia encaixe nas nossas barragens”, acrescentou a ministra a conferência de imprensa esta segunda-feira.

Olhando para as bacias hidrográficas nacionais, destacou uma em particular: “Estamos muito preocupados com o Mondego. Tem um sistema interessante de diques, mas tem alguns anos. Alguma fissura ou se a água ultrapassa o dique, temos uma cheia rápida, quando nos outros rios, são lentas”.

A barragem da Agueira tem sido o “principal motivo” para o rio Mondego não ter causado problemas até agora, pois foram feitas descargas para acomodar mais água. Neste momento, “tem um encaixe grande”.

No caso do Açude do rio Mondego, que também é uma ponte rodoviária (ponte de Coimbra),  o seu caudal é atualmente de 900 m3 por segundo. Como não pode ultrapassar os 2.000 m3, quando chegar aos 1.900 m3 por segundo, as autoridades emitem um aviso para evacuar populações na zona baixa do Mondego: em cidades como Coimbra, Soure, Montemor-o-Novo e Figueira da Foz.

Já no rio Douro, existem muitas barragens que realizaram descargas programas, incluindo Torrão, Foz Tua, Alto Sabor, Vilar de Tabuaço.

“O rio está dentro do leito. Temos um caudal de 3 mil m3 por segundo. Quando a maré baixa descarregamos mais. Temos tido marés altas muito grandes”, sendo necessário conciliar as descargas com as marés baixas. “O Douro traz problemas com o caudal a 4.200 m2 por segundo. Estamos a medir”, tendo acrescentado que já houve encontros com autarquias e a proteção civil para coordenar a resposta no caso de ser necessário “retirar as pessoas de zonas com inundação”.

No caso do rio Câvado, a grande questão é a confluência com o rio Homem. “O problema é a dificuldade que o rio Homem tem em entrar no rio Câvado. Quando não consegue, traz problemas” a Vila do Prado e a Vila Verde, havendo um historial de cheias.

Já no rio Lima, a barragem do Alto Lindoso tem “muito encaixe” disponível, sendo possível “evitar cheias” em Ponte da Barca e em Ponte de Lima.

No caso do rio Minho, o caudal está a ser controlado a partir da barragem de Frieira em Espanha.

Por sua vez, o rio Vouga está “com muita água”, com uma cheia a registar em Águeda, que está “de certo modo controlada”.

Já o rio Águeda não consegue entrar no Vouga porque “está com muito caudal. Estamos muito atentos”.

No rio Tejo, tem havido descargas na barragem de Castelo do Bode, mas que já foram reduzidas. “Existe muita água no Tejo e Zêzere devido ao degelo”, pois o rio Zêzere nasce na Serra da Estrela.

Mais a sul, houve descargas no rio Sado nas albufeiras de Odivelas, Pego do Altar e Vale de Gaio para dar lugar a “encaixe para mais água. Temos um pouco mais de controle no Sado”.

No Algarve, a chuva das últimas semanas colocou a barragem da Bravura muito perto do seu máximo. Conhecida por ser uma das barragens com falta de água crónica em Portugal, a Bravura tem o seu nível acima dos 96%, um contraste face a momentos em que estava nos 10%.

Já o rio Arade está “controlado”.

No Alqueva, a albufeira voltou a descarregar esta segunda-feira, numa descarga controlada.