Foram três milagres seguidos a garantirem vitórias importantes. Neste sábado, o Sporting conseguiu arrancar um quarto milagre seguido, ao triunfar por 2-1 sobre o Nacional da Madeira. Um golo de Luís Suárez já em tempo de compensação salvou o Sporting de perder pontos no campeonato e, potencialmente, ver aumentar a distância para o líder FC Porto, que joga na segunda-feira contra o Casa Pia. Assim, fica provisoriamente a quatro do “dragão”, antes de ir à Invicta para defrontar a formação portista.
Depois de subir ao céu na Europa, o Sporting teria de descer de novo à terra para fazer o seu trabalho na Liga nacional – e numa noite em que o céu estava a cair em cima da cabeça, como diriam os gauleses da aldeia de Astérix. Novo confronto com o Nacional, equipa que já tinha criado muitos problemas ao bicampeão na primeira volta, e duas novidades no onze “leonino”: Hjulmand fora do jogo por “motivos pessoais”, Francisco Trincão, o jogador mais utilizado na época, a descansar no banco. Avançaram Morita para o meio-campo e Pedro Gonçalves para a zona central do ataque, com Luís Guilherme a assumir o lado esquerdo.
Antes de se perceber o que poderiam dar estas alterações de Rui Borges, já o Nacional acelerava para a primeira enorme oportunidade de golo. Logo aos 12’, um erro de Catamo na circulação deu à formação madeirense um “três para um no ataque”. Eduardo Quaresma escorregou na abordagem ao lance e foram os três do Nacional para a área. Coube a Gabriel Verón a responsabilidade do remate, mas eis que Catamo, para se redimir do erro, surgiu entre ele e a baliza, impediu um golo certo e festejou como tal.
Este era um sinal do que a equipa de Tiago Margarido vinha preparada para fazer em Alvalade, bloquear e atacar. E o Sporting teria de usar toda a sua capacidade em ataque planeado para furar a muralha. Não estava a conseguir pelo meio, tentou várias vezes pelas alas, com Geny e Guilherme a tentarem criar os desequilíbrios. Pedro Gonçalves andava desaparecido porque os “leões” não conseguiam criar em zonas interiores – mérito para o bom posicionamento das duas linhas defensivas do Nacional, a funcionar como um verdadeiro bloco.
Depois de uma primeira meia-hora sem inspiração, o Sporting meteu uma velocidade acima e começou a criar perigo, mas a verdadeira oportunidade de golo só aconteceu no último minuto da primeira parte. Bola em transição perfeita para Catamo e aceleração do moçambicano seguida de passe calibrado para o coração da área, onde estava Luis Suárez. O geralmente certeiro colombiano rematou de primeira, mas Kaique brilhou na baliza do Nacional.
Pouco depois da hora de jogo, o técnico dos “leões” resolveu mexer na equipa, mandando Trincão e o estreante Faye para o relvado. O Nacional foi-se aguentando e foi metendo a cabeça de fora no ataque quando podia, mas o Sporting, a sentir a urgência de marcar, intensificou o cerco, acabando por ter o prémio aos 72’. A jogada começou com uma investida de Faye na direita, continuou com um toque de Suárez para Pedro Gonçalves, que distribuiu para Trincão. O 17 dos “leões” atirou, Kaique defendeu e, na recarga, Pedro Gonçalves fez o 1-0.
O jogo estava desbloqueado para a equipa da casa, mas os visitantes não se deixaram ficar. Pouco depois, numa bola longa, Verón avançou para a área, atirou, Rui Silva defendeu de forma deficiente e, na recarga, Alan Nuñez fez o empate – tinham passado apenas quatro minutos desde o golo do Sporting. Haveria mais um milagre?
Aos 88’, Suárez recebeu uma bola de Trincão e, com um excelente gesto técnico, meteu a bola na baliza do Nacional – fora de jogo por oito centímetros. Milagre adiado. Mas, aos 95’, Alisson, um dos milagreiros do costume (que estará de saída), meteu a bola na área e Suárez, também protagonista destes momentos, fez o milagre materializar-se para o Sporting. Outra vez.