Em Ourém, Carlos Sousa relata à Lusa que tem de recorrer a fornecedores em Coruche, pagando um euro por cada telha. “São mais caras que ouro”, afirma, descrevendo a dificuldade em encontrar material compatível com os telhados existentes.

Em Lameiria, o construtor José Martins transporta uma palete de telhas para entregar a clientes que têm vivido dias à chuva. “Tenho pedidos de mais de cem clientes”, refere, destacando que muitas casas ficaram expostas após o vento ter arrancado telhados inteiros.

No Suimo, Tomar, José Manuel e Maria Fernanda Neves recorreram a amigos para recolocar telhas arrancadas da própria varanda. “Não resolve, mas pelo menos chove menos”, explica Fernanda Neves, que está alojada numa pensão da autarquia enquanto a sua casa permanece danificada.

A escassez de telhas agrava-se devido à diversidade de marcas e formatos, muitas das quais já não são fabricadas, o que força alguns moradores a adaptar peças de telhados diferentes. “É tirar as que tenho e pôr todas de outro tipo”, comenta Carlos Sousa.

Desde o início do mau tempo, nove pessoas morreram, cinco diretamente devido à tempestade, enquanto outras vítimas sofreram quedas de telhados ou intoxicação por geradores. Os estragos incluem casas, empresas e equipamentos destruídos, árvores e estruturas caídas, cortes em estradas, transportes e serviços básicos.

Os distritos mais afetados são Leiria, Coimbra e Santarém, e o Governo decretou situação de calamidade até domingo para 69 concelhos, com um pacote de apoio de até 2,5 mil milhões de euros para ajudar na recuperação.

A necessidade urgente de telhas tornou-se um dos símbolos visíveis da crise: proteger os telhados é agora uma prioridade vital para famílias e construtores, que lutam para impedir que a chuva agrave ainda mais os danos.