“Temos de perceber que as alterações climáticas não é uma conversa de cientistas, é uma realidade, e fenómenos como esta severidade vão acontecer mais no nosso país”, enfatizou António José Seguro, em entrevista à SIC e SIC Notícias, este domingo, após regressar de ações de campanha, em regiões afetadas pela tempestade Kristin.
António José Seguro disse ter estado em contacto com “muita gente isolada”, que esteve e continua a estar sem recursos essenciais, como água, eletricidade, comunicações ou mesmo alimentos. “Percebi que o papel do Presidente da República é estar junto das pessoas”, sobretudo nestes casos de crise grave geradas por tempestades, sustentou o candidato.
“É realista pedir ao Estado que possa reagir melhor a catástrofes como esta”, continuou Seguro, frisando que “é necessário ter planos de energia, planos de redundância, para haver uma resposta rápida às populações quando existem falhas de eletricidade, de água ou de abastecimento de alimentos”.
Seguro destacou ainda que numa situação desta gravidade “todos os instrumentos que o Estado tem ao seu dispôr têm de ser melhor articulados e coordenados”. E deu o exemplo das Forças Armadas, que se dispuseram desde logo a dar ajuda mais rápida. “Porque é que isso não aconteceu? Poderia ter ajudado a minorar muitos dos problemas”, considerou.
O candidato a Presidente da República reiterou que, caso seja eleito, a primeira reunião de Conselho de Estado será dedicada à segurança, o que inclui populações atingidas por intempéries. “O país precisa de robustecer a sua resposta para que seja mais rápida e efetiva para acudir às pessoas e às empresas”, evidenciou.
Frisando que “há muito a fazer neste campo”, e que o “Estado deve ter centros logísticos para acudir rapidamente às pessoas” em situação de crise, Seguro também pôs a tónica nos voluntários que se mobilizaram este fim-de-semana para ajudar as populações afetadas pela tempestade. “A solidariedade do país tem sido magnífica, mas não deve substituir a responsabilidade do Estado em proteger bens e pessoas”, concluiu.
“Não ficarei em Belém à espera que as crises lá cheguem”
António José Seguro voltou a garantir que, se for eleito, “tudo” fará pela estabilidade política no país, mas sem deixar de fazer “exigências ao Governo para resolver os problemas”. “Não ficarei em Belém à espera que as crises lá cheguem”, garantiu Seguro, realçando que “os portugueses não querem mais instabilidades políticas”, e que “o país não pode passar a vida em eleições”.
Mas Seguro também pôs a tónica nas “mentiras e falsidades do meu adversário”, e nos seus “métodos não democráticos”. E considerou mesmo que “André Ventura é um risco para a democracia”.
“O país está a entrar em becos sem saída em muitas situações”, constatou, insistindo que será um Presidente “equidistante dos partidos”, mas avisando que “não darei posse a Governos que são contrários à Constituição”.
“Ação, ação, ação”, apelou Seguro
Ao longo do dia, em ações de campanha presidencial que decorreram em Gouveia, António José Seguro defendeu que as medidas anunciadas pelo Governo, no sentido de providenciar apoios às populações afetadas, “vão na direção certa, mas o importante é que cheguem rapidamente às empresas e às famílias”.
“Ação, ação, ação”, apelou defendendo que “deve haver libertação de capacidade de construção civil no nosso país para acudir a essas pessoas que ficaram sem casa, e sem telhados”. “Pode haver apoios, mas depois se não houver quem execute a obra, fica tudo na mesma”, realçou, frisando querer ver no terreno e na prática as decisões que saíram em sede de Conselho de Ministros.
O candidato presidencial também não deixou de enfatizar a “tradicional burocracia do Estado”, e enfatizou que nesta altura crítica “não pode haver burocracia, este é um momento de ação”. Seguro sustentou que “uma vez que já são conhecidos os apoios”, é hora de “agilizar as cadeias de abastecimento” nas ajudas imediatas às populações afetadas, para que haja rapidez neste processo, sobretudo a nível de alimentos.