Michael Jackson regressa ao centro da atenção mediática com a divulgação de gravações de áudio inéditas, agora integradas no documentário “The Trial”. O material foi revelado pelo “New York Post”, que falou em “gravações impactantes”, numa altura em que o legado do artista continua a dividir opiniões mais de 15 anos após a sua morte.

Os áudios foram gravados em 1999, durante conversas privadas entre o cantor e o rabino Shmuley Boteach, a quem Michael Jackson procurou como conselheiro espiritual. As entrevistas sonoras atravessam os quatro episódios da série e permitem ouvir o artista falar de forma direta sobre emoções, relações pessoais e a sua ligação às crianças.

Num dos momentos mais perturbadores, o cantor afirma: “Se me dissesses agora mesmo que nunca poderia voltar a ver uma criança, suicidava-me”. Em outros excertos, refere que “os meninos” só querem tocar-lhe e abraçar-lhe e que acabam “por se apaixonar” pela sua personalidade.

De acordo com a “Deadline” as gravações inéditas vão muito além dos excertos já tornados públicos e são usadas como fio narrativo para aprofundar o retrato psicológico do artista, numa fase anterior ao processo judicial que viria a marcar a sua carreira.

Um passado que continua a levantar questões

O lançamento de “The Trial” surge num contexto marcado por documentários anteriores que abordaram as acusações feitas a Michael Jackson. Em 2019, “Leaving Neverland”, emitido pela HBO e distinguido com um Emmy, reuniu os testemunhos de Wade Robson e James Safechuck, que acusaram o cantor de abusos sexuais quando eram menores.

Seis anos depois, ambos voltaram ao tema em “Leaving Neverland 2: Surviving Michael Jackson”, refletindo sobre o impacto pessoal e judicial dessas denúncias. A nova série junta-se assim a um conjunto de produções que voltam a escrutinar a vida privada do artista.

“The Trial” revisita também o julgamento de 2005, realizado na Califórnia, em que Michael Jackson foi acusado de abusos sexuais a Gavin Arvizo, então com 13 anos. Em tribunal, Arvizo e o irmão relataram que o cantor lhes terá dado álcool, mostrado pornografia e feito insinuações sexuais na propriedade de Neverland. Jackson acabaria absolvido de todas as acusações nesse mesmo verão.

A produção inclui entrevistas com várias pessoas próximas do artista, entre elas um antigo advogado de defesa, ouvido no trailer a afirmar: “Todas as acusações contra Michael foram uma estafa”. O documentário apresenta ainda arquivos inéditos e conversas com figuras que nunca tinham falado publicamente.

Uma fonte que escutou as gravações afirmou ao “New York Post” que “há algo extremamente invulgar e arrepiante na fascinação de Michael Jackson por crianças, especialmente por aquelas que não são suas”. Para essa mesma fonte, ouvir o cantor falar desta forma “levanta muitas questões sobre a sua saúde mental, o seu pensamento e, infelizmente, as suas intenções”.

Tom Anstiss, produtor executivo de “The Trial”, sublinha que “as gravações inéditas oferecem uma janela excecional e privilegiada para a psique e a alma de Michael Jackson”, descrevendo-as como “emotivas e muito reais”, com momentos em que o artista surge “à beira das lágrimas”.