Kremlin

Vladimir Putin, presidente da Rússia
Ben Hodges, antigo especialista do exército dos EUA, reforça que não se pode confiar no Kremlin e… nos EUA.
As negociações rumo à paz na Ucrânia regressaram recentemente. A Ucrânia indicou que foram negociações positivas e construtivas. E haverá nova ronda em Abu Dhabi.
Mas Ben Hodges, antigo especialista do exército dos EUA, avisa: “É difícil para mim compreender o quão perto estamos de um acordo de paz. O governo e os representantes ucranianos estão bem cientes do que está em causa”.
Até porque, alerta: “Sabem que não se pode confiar em Vladimir Putin ou no Kremlin. E temo que também compreendam que não podem confiar nos Estados Unidos”.
Os EUA estão a tentar pressionar a Ucrânia para ceder o Donbas em troca de garantias de segurança – o que gera desconfiança por parte da liderança ucraniana.
O antigo tenente-general, agora reformado, deixa outro aviso: mesmo que a Rússia conquiste todo o Donbas, isso não vai travar a guerra.
E, por isso, disse no Canal 24, só há uma maneira de acabar com a guerra na Ucrânia: mostrar ao presidente da Rússia que não pode ganhar.
E, para isso, o especialista aponta três possíveis caminhos. O primeiro seria destruir a infraestrutura de petróleo e gás da Rússia, deixar os russos sem capacidade de produzi – para que não possa exportar petróleo e gás e, assim, financiar a guerra.
O segundo foco seria a Europa demonstrar de forma real (e não apenas simbólica) que apoia a Ucrânia. Não basta uma foto de Volodymyr Zelenskyy a abraçar alguém; quer acções concretas, apoio fiável e a longo prazo.
Por fim, a transformação da Ucrânia num Estado de defesa total. Ben Hodges acredita que a Ucrânia deve adoptar um modelo que combine a experiência de Israel e da Finlândia: “Uma base industrial forte, uma produção de elevada qualidade, reservas que possam ser mobilizadas rapidamente e uma plena inclusão da sociedade. Acho que é assim que se vai parecer o sucesso ucraniano. A adesão à União Europeia também seria importante”, completou.