Tempestade Leonardo traz novamente períodos de chuva forte e persistente, rajadas de vento que podem atingir os 95 quilómetros por hora, agitação marítima e neve
A Proteção Civil alertou esta terça-feira para o agravamento do estado do tempo nas próximas horas, provocado pela tempestade Leonardo, com a previsão de “chuva forte e persistente” e rajadas de vento que podem atingir os 95 quilómetros por hora.
Em conferência de imprensa na sede Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, adiantou que, a partir desta terça-feira e até sábado, dia 7, estão previstos “períodos de chuva forte e persistente, com vento forte e rajadas até 75 quilómetros por hora no litoral sul do Cabo Mondego e até 95 quilómetros por hora nas serras do Sul”.
As fortes rajadas de vento previstas para os próximos dias preocupam as autoridades, sobretudo nas zonas afetadas pela tempestade Kristin. “Continuamos a ter um problema relativamente à questão da queda de infraestruturas e da queda de árvores, nomeadamente na zona que sofreu maior impacto da depressão Kristin”, admitiu Mário Silvestre, referindo-se ao centro do país, com destaque para os distritos de Leiria, Santarém e Coimbra.
Além disso, espera-se ainda “agitação marítima forte, com ondas que podem atingir os 11 metros” e queda de neve com acumulações até 25 centímetros acima dos 1.600 metros e entre 10 e 15 centímetros acima de 1.000 metros.
“Tudo isto forma um cocktail complexo do ponto de vista da resposta” das autoridades às ocorrências previstas, advertiu o comandante nacional da Proteção Civil. “Esta é efetivamente uma situação meteorológica muito complexa”, reforçou.
Neste cenário, a Proteção Civil elevou o estado de prontidão do dispositivo para o nível 4, “o mais elevado dos níveis”, o que “implica 100% da capacidade dos agentes de proteção civil disponível”, indicou Mário Silvestre.
Assim, mantém-se no terreno “um conjunto de recursos pré-posicionados nas zonas pontencialmente mais afetadas” pela possibilidade de cheias e inundações, nomeadamente nos rios Douro, Vouga, Tejo e na zona do rio Sorraia, detalhou o comandante nacional da Proteção Civil.
Questionado pelos jornalistas sobre se o cansaço dos operacionais justifica o acionamento do mecanismo europeu da Proteção Civil, Mário Silvestre admite que os agentes estão cansados, mas que esse cansaço não põe em causa as capacidades de resposta das autoridades às ocorrências que têm surgido.
“De forma nenhuma. A nossa capacidade instalada não está minimamente esgotada, pelo contrário. Neste momento encontramo-nos a desmobilizar um conjunto de recursos de zonas de impacto da tempestade Kristin, porque os trabalhos estão considerados como concluídos do ponto de vista da proteção e socorro”, respondeu o responsável, acrescentando que este trabalho de desobstrução de vias foi dado como “concluído”.