Ministra do Ambiente destaca o rio Mondego como aquele que “mais preocupa” as autoridades, tendo em conta a sua “segmentação”. “Enquanto as outras cheias são lentas, ali pode haver uma cheia repentina”. Por isso, as autoridades estão “preparadas” para avançar com evacuações
A ministra do Ambiente e da Energia assume “muita preocupação” com o agravamento do estado do tempo nas próximas horas, com destaque para esta quinta-feira, dia em que está previsto que se atinja um “pico” do mau tempo.
Em declarações aos jornalistas depois de uma reunião na sede da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a ministra mostrou-se muito preocupada com as previsões das próximas horas. “Preocupa-nos muito [o dia de] amanhã. Vamos ter um pico amanhã [quinta-feira]. Segundo as previsões do IPMA, o outro pico, no sábado e no domingo, vai ser muito suave, portanto há melhores notícias para esses dias, mas vamos ter um novo pico segunda, terça ou quarta, portanto no princípio da próxima semana”, adianta Maria da Graça Carvalho.
Enumerando várias situações que preocupam neste momento as autoridades, nomeadamente a possibilidade de cheias nos rio Guadiana e Sado, a ministra destaca o rio Mondego como aquele que “mais preocupa”, tendo em conta a sua “segmentação”. “Enquanto as outras cheias são lentas, ali pode haver uma cheia repentina”, explica.
Prevendo-se esse cenário, Maria da Graça Carvalho assegura que as autoridades estão “muito preparadas” para reagir, estando planeadas evacuações. “Quando chegar perto do ponto crítico, as pessoas serão retiradas, está tudo preparado, sabe-se quem sai, para onde vai. As Forças Armadas estão na região de Coimbra, porque não é só Coimbra, é Montemor-o-Velho, Soure, pode ser um pouco da Figueira [da Foz], portanto está tudo preparado para reagir antes que isso aconteça”, garante.
As autoridades estão igualmente preocupadas com a situação em Espanha, uma vez que esta tempestade Leonardo, ao contrário das anteriores, que vieram pelo Atlântico, começou no sul de Portugal, estando também a provocar estragos na Andaluzia.
“Estamos muito preocupados com a situação em Espanha. As primeiras tempestades foram atlânticas e não houve assim tanta pluviosidade em Espanha. Neste momento, temos uma que começou no sul de Portugal e está na Andaluzia, tendo já sido declarado estado de emergência na Andaluzia”, adianta aos jornalistas, assegurando que as autoridades portuguesas estão em articulação com as autoridades espanholas.
Para acautelar tudo isto, a APA “começou desde há várias semanas” a fazer descargas das barragens, provocando “inundações controladas” de modo a permitir agora um maior “encaixe” nas barragens. “Mesmo assim temos de fazer uma monitorização minuto a minuto”, adverte a ministra.