O nível da água do rio Guadiana junto à vila de Mértola, no distrito de Beja, está hoje mais baixo, mas as preocupações mantêm-se com a possibilidade de uma nova subida, disse o presidente do município.

Em declarações à agência Lusa, o autarca de Mértola, Mário Tomé, indicou que nas últimas horas o caudal do rio “desceu um bocadinho”, em relação a quarta-feira, mas avisou que este abaixamento “pode dar uma sensação de falsa segurança”.

“As indicações que temos é que, fruto do que está a chover mais acima [mais a norte], Alqueva vai continuar a libertar muita água, Pedrógão também, as afluentes continuam a meter muita água no rio e o nível pode subir durante o dia de hoje”, salientou.

Assinalando que as autoridades estão a fazer a monitorização constante do nível da água, Mário Tomé apelou aos cidadãos para que “cumpram as orientações da Proteção Civil e do município” para que seja salvaguardado “o mais importante, que são as pessoas”.

Quanto à evacuação, na quarta-feira à noite, do lar da Santa Casa da Misericórdia (SCM) de Mértola, devido à proximidade do nível da água, o presidente do câmara destacou que “a articulação entre as entidades” permitiu cumprir com sucesso a operação.

“As pessoas estão alojadas com dignidade, com segurança, agimos com proatividade e garantimos que as pessoas passaram uma noite tranquila e não com ansiedade sobre se o rio podia ou não subir”, frisou.

Na quarta-feira à noite, a maioria dos utentes do lar foi transferida para o novo Lar de São Miguel do Pinheiro, da Câmara de Mértola, inaugurado no ano passado, mas que ainda não tinha entrado em funcionamento.

Além desta ocorrência, o autarca disse ter conhecimento de um café que ficou inundado na aldeia ribeirinha do Pomarão.

Também em declarações à Lusa, o provedor da SCM de Mértola, José Alberto Rosa, explicou que “à volta de 67 ou 68” dos 72 utentes do lar evacuado foram transferidos. Os restantes foram acolhidos por familiares, que os foram buscar.

A maioria dos utentes foi para “um lar que ainda não estava a funcionar, instalações completamente novas, que nós realmente aproveitámos, e foi ótimo, porque a alternativa era colocar os utentes num pavilhão inóspito, que era um drama”.

Segundo o provedor da instituição, a transferência dos utentes contou com a colaboração das várias entidades no apoio e na disponibilização dos transportes, que agradeceu.

“Os utentes passaram a noite e tem estado a correr bem. Agora, é evidente que, em termos logísticos, tudo tem que ser acertado”, realçou, lembrando que o novo lar não tem ainda condições para a confeção das refeições.

O responsável explicou que as refeições vão ser confecionadas no lar da SCM de Mértola e transportadas para o espaço provisório: “E vamos ver quanto tempo isto vai durar, mas, é evidente, vamos voltar para a nossa casa.”

A Barragem do Alqueva tem vindo a efetuar, nos últimos dias, descargas de água, devido à “persistência de caudais afluentes elevados” provocados pelas chuvas intensas, levando ao aumento do caudal do rio Guadiana, que atravessa o concelho de Mértola.

Lusa