“Ainda que tenhamos o rio a passar no meio de nós e que estejamos muito habituados, a verdade é que isto é absolutamente anormal”, lamenta o presidente da câmara de Mértola. Na TSF, Mário Tomé alerta para a falsa sensação de segurança a que a descida do caudal do rio pode induzir.
“A verdade é que o rio desceu ligeiramente durante a noite, mas a indicação que temos é que vai voltar a subir, ou seja, está a ser libertada mais água ainda, no Alqueva e acima (…) e também em Espanha, e isso redunda no aumento do caudal em Mértola”, esclarece.
Já na quarta-feira à tarde, a autarquia decidiu evacuar o Lar de Idosos da Misericórdia e instalar os utentes num edifício novo, que ainda não tinha sido estreado. “Foi fácil porque tínhamos um edifício novo, de raiz, construído pelo município, com todo o equipamento e funcionários que ia entrar em funcionamento em março”, sublinha. O autarca enaltece o trabalho da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) que está a realizar uma monitorização constante ao caudal do rio Guadiana.
Mário Tomé garante que a Câmara Municipal está a fazer uma “monitorização pessoa a pessoa” e que têm identificados os moradores e os sítios existentes perto do rio. “Posso dizer que neste momento estaremos com a cota 16.11, evacuámos o lar com a cota 17.3, 17.8, portanto se formos monitorizando na cota 18.3, 18.5, consideramos a hipótese de aconselhar as pessoas a sair de casa”, adianta.
No entanto, o autarca considera que 21 será a cota crítica e que, se o rio Guadiana a atingir, as populações ribeirinhas terão obrigatoriamente de deixar as suas casas. “Temos já sítios definidos no turismo local do concelho, turismo rural (…) que possam receber famílias ou pessoas individualmente”, garante. O presidente da Câmara Municipal de Mértola adianta que, se for necessário, a autarquia tem também disponível o pavilhão multiusos para acolher os bens da população e maquinaria para ajudar na sua retirada.