Será este o fim do sonho de um mercado automóvel sem os “fumarentos”? A dependência europeia das baterias, ainda largamente dominadas pela China, está a expor os limites da eletrificação total até 2035. Perante este cenário, a Stellantis parece ter encontrado uma resposta: voltar a apostar no motor diesel.
Quem ousou assinar o fim dos motores a diesel? A Stellantis
As marcas, da Alemanha à França, passando por outros países diretamente afetados na sua indústria automóvel, já deixaram claro que a eletrificação total em 2035 levanta sérias dúvidas quanto à sua viabilidade.
Entre essa incerteza e a realidade do mercado até lá, há quem entenda que não basta apostar apenas nos híbridos a gasolina. A Stellantis, que tinha assumido uma estratégia totalmente assente no 100% elétrico até 2030 na Europa, acaba agora por protagonizar uma reviravolta de 180 graus.
É aquilo a que se chama rever as ambições em baixa
O grupo internacional, que ambicionava comercializar apenas veículos elétricos dentro de cinco anos no mercado europeu, acaba de anunciar uma mudança de rumo, no mínimo inesperada.
Para combater a crescente força dos construtores chineses, a Stellantis aposta agora num regresso formal do diesel.
De acordo com as informações, o diesel regressa prioritariamente às versões familiares dos veículos comerciais ligeiros. Os Citroën Berlingo e Peugeot Rifter estão abrangidos, tal como os Citroën SpaceTourer e Peugeot Traveller, sem esquecer as suas variantes nas restantes marcas do grupo.
Recorde-se que alguns modelos tinham sido retirados da oferta diesel para cumprir os objetivos de redução das emissões de CO₂. Em França, a fatura continua particularmente pesada: mais de 1.900 euros de penalização para um Berlingo e até cerca de 50.000 euros para um SpaceTourer (48.901 euros, para sermos exatos).
O diesel como argumento concorrencial face aos chineses
A crescente presença dos construtores chineses na Europa constitui o principal argumento do grupo para justificar este regresso ao diesel. As suas quotas de mercado aproximam-se já dos 10% no Velho Continente, e a sua ofensiva concentra-se nos segmentos elétrico e híbrido.
Como as marcas chinesas não apresentam qualquer oferta diesel, a Stellantis vê aqui uma oportunidade que poderá conferir-lhe, segundo considera, uma vantagem concorrencial.
Paradoxalmente, a quota do diesel nas vendas automóveis europeias caiu a pique, passando de 50% para menos de 10% ao longo de uma década. Atualmente, é inferior à quota de mercado acumulada dos construtores chineses na Europa.
Agora, apenas o futuro dirá se a escolha da Stellantis em relançar o diesel se revelará pertinente ou se esta estratégia irá esbarrar na rápida evolução do mercado europeu.

