A indústria tecnológica vive um momento de aceleração sem precedentes, e a ASML quer estar à altura. A empresa neerlandesa, que detém o monopólio das máquinas de litografia mais avançadas do mundo, apresentou, durante um evento em San Jose, na Califórnia, uma inovação técnica que poderá alterar o ritmo de produção global de semicondutores até ao final desta década. Segundo a Reuters, o presidente executivo da companhia, Christophe Fouquet, anunciou o avanço, que aponta para um aumento de 50% na capacidade de produção de chips topo de gama até 2030.

O coração da inovação está na fonte de luz ultravioleta extrema — conhecida pela sigla EUV —, o componente essencial para “imprimir” circuitos microscópicos em fatias de silício. A nova arquitectura do sistema recorre a um laser de impulso duplo para vaporizar gotas de estanho e gerar o plasma que produz essa luz. O resultado prático é uma máquina capaz de processar cerca de 300 discos de silício por hora, contra os actuais 200. Um salto assinalável num sector onde cada uma destas “bolachas” conta.

Mais chips e maior rapidez

O objectivo declarado da ASML é garantir que empresas como a TSMC, a Intel ou a Samsung consigam responder às encomendas de gigantes como a Nvidia, cujos processadores são o motor da actual corrida à inteligência artificial. A procura por chips de alto desempenho não dá sinais de abrandamento, e a capacidade de produção tem sido um dos principais estrangulamentos do sector.

A litografia EUV é um processo de extrema complexidade e custos proibitivos. Uma das máquinas da ASML pode custar cerca de 200 milhões de euros. Nas versões mais recentes — as chamadas “High-NA”, que permitem gravar circuitos ainda mais pequenos —, o preço ultrapassa os 300 milhões de euros por unidade. Com a nova fonte de luz, a empresa pretende maximizar o rendimento destes equipamentos, diluindo o custo por chip produzido e encurtando os prazos de entrega ao mercado.

A corrida pela eficiência

A implementação em larga escala não será imediata. O calendário da empresa aponta para uma integração progressiva das melhorias ao longo dos próximos anos. Fouquet sublinhou que a inovação contínua na geração de luz é o caminho para manter a lei de Moore com vida — o princípio que prevê a duplicação periódica do número de transístores num chip —, permitindo que os semicondutores continuem a evoluir em potência e eficiência energética.

O anúncio reforça também a posição da Europa como pilar estratégico numa cadeia de abastecimento global cada vez mais politizada.