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Medidas pouco convincentes para o consumidor, não só em Portugal. Até Vladimir Putin já aparece nesta “jogada”.

Tal como aconteceu logo nos primeiros dias da guerra na Ucrânia, os preços da energia estão a subir de forma considerável na Europa, incluindo em Portugal, desde que EUA e Israel atacaram o Irão.

As filas nos postos de combustíveis já começaram na sexta-feira passada, quando se percebeu que o litro do gasóleo iria subir 19 cêntimos nesta semana.

A botija de gás deve ficar mais cara ainda neste mês, indica o Jornal de Notícias; enquanto o gás natural só deve ficar mais caro em Outubro.

Lá fora, Croácia e Hungria já definiram preços máximos dos combustíveis, para proteger os consumidores da subida do preço do petróleo.

As palavras de Donald Trump nesta segunda-feira – a guerra no Irão “acabou, praticamente” – até fizeram descer o preço do barril de Brent.

Mas a União Europeia continua a tentar mitigar os efeitos da subida dos preços nos mercados do petróleo e do gás – mas está a revelar a sua “impotência inegável”.

Klaus Stratmann, especialista em política energética, começa por sublinhar que as políticas nacionais ou europeias dificilmente podem influenciar a evolução dos preços nos mercados globais de petróleo e gás.

Os descontos nos combustíveis – como está a acontecer em Portugal – não conseguem alterar este cenário, lê-se na sua análise no Handelsblatt.

O especialista reagiu assim às medidas da Comissão Europeia para “aumentar a independência energética e a acessibilidade dos preços da energia na UE”.

Aposta-se numa transição para energia limpa, em novos modelos de financiamento das tarifas de rede, mudança de comercializador mais rápida, impostos mais baixos na fatura da luz ou reatores modulares.

“Oferecem pouco consolo”, resume o especialista alemão. A ideia de reduzir os impostos sobre a eletricidade seria boa positiva para o consumidor – mas falta concretizar. Na Alemanha, por exemplo, o governo “não teve nem a coragem nem os fundos” para o fazer no ano passado.

Sobre os novos modelos de financiamento das tarifas de rede: “Novos instrumentos de financiamento não resolverão este problema. Em vez disso, tudo deve ser feito para reduzir os custos”, avisa Klaus Stratmann.

Os riscos geopolíticos mundiais não podem ser eliminados, mas podem ser reduzidos: “Diversificar as fontes de abastecimento e a disponibilidade para celebrar contratos de fornecimento a longo prazo fazem parte da solução” – e são soluções “óbvias”, refere o especialista.

O preço do gás também tem impacto direto sobre os preços da eletricidade: as centrais termoelétricas a gás definem os preços nos mercados de eletricidade. “Uma política de compras inteligente será mais eficaz neste caso do que decisões políticas precipitadas”, analisa.

Putin “pisca o olho”

Entretanto, Vladimir Putin aparece na “jogada”: a Rússia admite vender gás e petróleo russo à Europa.

Houve cortes no mercado russo por causa da invasão à Ucrânia mas, agora, com a guerra no Irão a desencadear uma crise energética global, a Rússia está “pronta para trabalhar com os europeus no fornecimento de petróleo e gás“, declarou Putin na televisão estatal russa.

No entanto, continuou o presidente da Rússia, mas precisa de “determinados sinais” dos líderes políticos europeus para avançar.

Recorde-se que a Rússia é o segundo maior exportador de petróleo e tem as maiores reservas de gás natural do mundo.

UE recusa voltar ao petróleo russo

Esta quarta-feira, Ursula von de Leyen recusou o petróleo russo para enfrentar a crise energética. Seria um “erro estratégico”, disse, a presidente da Comissão Europeia, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

“Temos fontes de energia próprias, renováveis e nuclear. Com a crise atual, há quem pense que devíamos abandonar a nossa estratégia de longo prazo e voltar aos combustíveis fósseis russos. Seria um erro estratégico“, garantiu.

“Tornar-nos-ias mais dependentes, vulneráveis e fracos”, acrescentou, numa alusão ao primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, que escreveu esta semana uma carta à Comissão Europeia a pedir o levantamento das sanções da União Europeia (UE) às importações de petróleo russo.

E soluções?

Von der Leyen reconheceu que, devido ao conflito no Médio Oriente, “as famílias e as empresas europeias estão a enfrentar uma forte pressão” com o aumento dos preços da energia e defendeu que a UE deve “aliviá-las”.

“Devemos analisar de forma abrangente como podemos reduzir as faturas de energia. Não olhando apenas para uma componente, mas sim para as quatro componentes que determinam o preço: os custos da própria energia – que representam em média mais de 56% –, os encargos com a rede (18%), impostos e taxas (15%) e os custos do carbono (11%)”, afirmou.

Apelando a que se tomem medidas ao nível destas quatro componentes, Von der Leyen disse que existe atualmente, “de forma geral”, apoio ao sistema de fixação dos preços de energia, que se baseia no gás natural, sugerindo que não defende uma revisão desse sistema, mas sim medidas para controlar e reduzir o impacto do gás no preço da eletricidade.

“Estamos a preparar diferentes opções: um uso mais adequado dos Contratos de Compra de Energia e dos Contratos por Diferença, medidas de auxílio estatais e a exploração da possibilidade de subsidiar ou impor um teto ao preço do gás”, referiu.


Nuno Teixeira da Silva, ZAP //


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