Caças F-15K da ROKAF e B-1B da USAF – Divulgação/DOD

A Força Aérea da República da Coreia (ROKAF) volta a enfrentar questionamentos sobre seus padrões de disciplina em voo após a publicação de um relatório oficial que atribui a colisão no ar entre dois caças F-15K Slam Eagle, ocorrida em 2021, à distração dos pilotos enquanto tentavam capturar fotografias e vídeos durante a missão.

A investigação, divulgada em 22 de abril pela Junta de Auditoria e Inspeção, determinou que o incidente ocorreu durante o retorno à base após uma missão nas proximidades de Daegu, quando um dos pilotos, em seu último voo antes de uma transferência, executou manobras não planejadas com o objetivo de obter imagens com um telefone celular pessoal.

De acordo com o relatório, o piloto da aeronave, voando como ala, havia antecipado no briefing prévio sua intenção de registrar o voo, prática que, segundo a auditoria, era relativamente difundida naquele momento. Durante o retorno, iniciou a captura de imagens, o que resultou em uma sequência de decisões coordenadas de forma informal entre as tripulações.

O piloto líder, ao perceber a situação, solicitou a outro tripulante que filmasse o ala. Em resposta, este último executou uma manobra abrupta para melhorar o enquadramento, elevando a aeronave e invertendo-a parcialmente, até aproximadamente 137 graus, para expor sua parte superior. A manobra reduziu criticamente a separação entre ambas as aeronaves.

Em uma tentativa de evitar a colisão, a aeronave líder iniciou uma descida evasiva. No entanto, a proximidade e a falta de coordenação formal resultaram no impacto entre a asa esquerda do avião líder e o estabilizador horizontal (stabilator) do ala, como informa o portal Aviacionline, parceiro do AEROIN.

O incidente não deixou vítimas, mas provocou danos estruturais em ambas as aeronaves, com um custo de reparo estimado em aproximadamente 878–880 milhões de wons (cerca de $ 590 mil dólares). A rápida reação dos pilotos permitiu manter o controle das aeronaves e executar um retorno seguro à base, evitando a perda dos aparelhos.

Do ponto de vista operacional, o episódio expõe uma ruptura em princípios básicos do voo em formação tática: manutenção de separação, disciplina de missão e cumprimento rigoroso de perfis pré-aprovados. A introdução de elementos não autorizados, como o uso de dispositivos pessoais, gerou uma cadeia de riscos que escalou até o contato físico entre as aeronaves.

Inicialmente, o Ministério da Defesa da Coreia do Sul determinou que o piloto responsável arcasse com a totalidade dos custos de reparo. No entanto, após recurso, a junta de auditoria reduziu sua responsabilidade para 10% do total, cerca de 88 milhões de wons (US$ 59 mil), ao considerar fatores atenuantes.

Entre eles, o relatório aponta a existência de uma prática tolerada de registro audiovisual em voo, a ausência de regulamentações claras ou de sua aplicação rigorosa por parte da cadeia de comando, e o histórico operacional positivo do piloto envolvido. Também foi considerado que, apesar do incidente, o aviador conseguiu gerenciar a situação de emergência e recuperar a aeronave sem danos adicionais.