Ramille está no ar como Cinara em “Coração acelerado“, uma vilã que tem momentos de humor, mas também vive situações de drama, principalmente por conta da relação conturbada com a avó Nora (Virgínia Rosa). A atriz analisa a personagem:

— Não acho que a Cinara seja uma pessoa perdida. Eu a vejo como uma vilãzinha, sim. Ela passa por cima de quem for para conseguir o que quer, manipula, bota lenha na fogueira e espera o circo pegar fogo só para sair como a gloriosa que resolveu tudo. É uma mulher ambiciosa que não se enxerga no lugar onde está. Ela sente que Caturama é pouco para ela. O espelho dela é a Zilá (Leandra Leal), que saiu do mesmo lugar e se tornou poderosa.

Na trama, Cinara aproveita-se dos segredos ancestrais do livro de ervas da avó para aplicar seus golpes. Ramille, que é umbandista, fala sobre sua espiritualidade e conta como trata o tema na ficção:

— Acredito que nada do que conquistei na vida foi por acaso. Não estou sozinha. Meus orixás e Deus estão comigo. Tive cuidado ao ver que a Cinara faz tudo errado. Ela tem a herança do divino da avó, sabe fazer as coisas porque cresceu ali, mas é prepotente e nunca se sentou para pedir os ensinamentos de verdade. Ela acha que a avó é burra por não monetizar em cima do bem que faz. Respeito muito a minha religião, então, não peguei tanto de mim para ela neste momento em que ela usa a magia para coisas não tão certas. Se houver uma virada e ela usar o sagrado da melhor maneira, para fazer o bem, aí com certeza a Ramille emprestará saberes.