Monica Montefalcone era uma mergulhadora “experiente e nunca imprudente” e que “nunca poria ninguém em perigo”. As declarações foram feitas pelo marido, Carlo Sommacal, em entrevistas à imprensa internacional publicadas este sábado, dois dias depois de Monica ter desaparecido, juntamente com outros quatro cidadãos italianos — entre eles, a filha, Giorgia Sommacal — enquanto faziam mergulho nas Maldivas.
“Eles estavam lá para fazer investigação. Monica passou anos a estudar corais, recifes e os efeitos das alterações climáticas”, detalhou Carlo em entrevista ao El Mundo, em que salientou que o grupo não era composto por turistas, mas por biólogos que realizavam mergulhos nas Maldivas com frequência. “Alguns trabalhavam a uma profundidade dez metros, outros a cinco e alguns faziam snorkelling. Recolhiam dados e criavam tabelas, estudos, publicações. As Maldivas eram a sua segunda casa”, elaborou, acrescentando que foi lá que casou com Monica.
O grupo era composto, para além de Monica e da filha, por outros dois académicos, Muriel Oddenino e Federico Gualtieri, e por um instrutor de mergulho e responsável de operações, Gianluca Benedetti, cujo corpo já foi recuperado nas operações de resgates desencadeadas pelas autoridades das Maldivas. “Ela deve ter mergulhado umas 5 mil vezes e nunca teria arriscado a vida da sua filha ou das outras pessoas por ser imprudente. Alguma coisa aconteceu lá em baixo”, insistiu em entrevista ao La Repubblica.
Apesar de as causas da morte ainda não terem sido apuradas — quatro dos corpos ainda não foram recuperados —, Carlo recusa que o estado do tempo tenha provocado um acidente, em resposta aos relatos de que o mau tempo tem dificultado as operações das autoridades. “É mentira que eles tenham estado a mergulhar com mau tempo”, garantiu, insistindo na experiência dos mergulhadores, principalmente da mulher que caracteriza como “uma sereia” e de Benedetti, que era “meticuloso” e “não era nenhum tolo”.
“Talvez alguém tenha tido problemas, talvez com os tanques [de oxigénio]. Não faço ideia e estou à espera que as autoridades me digam alguma coisa”, relatou, acrescentando que tem estado em contacto frequente com as autoridades italianas. Caso algo tenha acontecido algo com um dos mergulhadores, “[Monica] não teria abandonado ninguém”, assegura ainda. “Tal como os outros. Havia uma aliança entre todos”, relembra.
Carlo sugere ainda que a câmara GoPro que a mulher costumava utilizar durante os mergulhos pode ajudar as autoridades a compreender o que se terá passado naquele que é já o pior acidente de mergulho de sempre nas Maldivas. “A Monica costumava ter uma GoPro quando ia mergulhar. Não sei se a tinha nesse dia. Se a encontrarem, talvez possam compreender o que aconteceu”, apela. Para além de Giorgia, o casal tinha outro filho, Matteo, que Carlo identifica como o único motivo que tem agora para “não desistir”.