Num setor cada vez mais competitivo e sujeito a oscilações económicas, encontrar um equilíbrio entre crescimento, rentabilidade e sustentabilidade tornou-se um dos maiores desafios da hotelaria. Para grupos com dimensão internacional, a expansão deixou de depender apenas da abertura de novas unidades e passou também pela capacidade de criar valor para os territórios, recuperar património, diversificar destinos e construir modelos de negócio resilientes.


É neste enquadramento que o Grupo Vila Galé assinala quatro décadas de atividade. Os 40 anos representam um momento de consolidação de uma estratégia iniciada em Portugal e que, ao longo do tempo, deu origem a uma rede de 52 hotéis distribuídos por quatro países – Portugal, Brasil, Cuba e Espanha. Mais do que um percurso de crescimento quantitativo, a evolução do grupo tem sido marcada por uma lógica de investimento gradual, reinvestimento contínuo e seleção criteriosa dos projetos, procurando garantir que cada nova unidade acrescenta valor ao destino onde se insere.


“Hoje, chegar aos 52 hotéis em quatro países é o resultado de 40 anos de trabalho, mas também de uma filosofia muito própria: crescer com prudência, manter capital e gestão portugueses, reinvestir no produto e procurar que cada hotel tenha uma ligação real ao destino onde está inserido”, afirma Gonçalo Rebelo de Almeida, CEO do Grupo Vila Galé.


O percurso começou no Algarve, associado ao turismo de lazer, antes de se expandir para outras regiões do país. A consolidação em destinos como Lisboa, Porto, Cascais, Coimbra, Évora e Madeira representou uma primeira etapa de crescimento sustentado. Mais tarde, a internacionalização para o Brasil abriu um novo ciclo de desenvolvimento, apoiado na dimensão do mercado, na afinidade cultural e na relevância do turismo interno. A entrada em Cuba e Espanha reforçou a presença internacional da marca, mantendo, no entanto, uma característica que continua a distinguir o grupo: preservar uma gestão e um capital de origem portuguesa, privilegiando uma visão de longo prazo em detrimento de estratégias de expansão acelerada.


Crescer com prudência: a estratégia que levou um grupo português a afirmar-se na hotelaria internacional



Esta filosofia permitiu diversificar a oferta sem perder coerência. Ao longo dos anos, o grupo desenvolveu hotéis de praia, unidades urbanas, resorts e projetos associados ao património histórico, procurando adaptar cada investimento às características do território e às expectativas dos diferentes segmentos de mercado.


Um dos momentos mais relevantes desta estratégia foi a criação da marca Vila Galé Collection. Mais do que uma nova insígnia, esta aposta traduziu uma visão diferente da hotelaria, assente na recuperação de edifícios históricos e na criação de experiências ligadas à cultura, à memória e à identidade local.


A recuperação de património tornou-se, assim, um eixo estratégico do crescimento. Em vez de privilegiar apenas novas construções, o grupo passou a investir na reabilitação de imóveis com elevado valor histórico, muitos deles degradados ou sem utilização, transformando-os em unidades hoteleiras capazes de preservar a identidade dos lugares e, simultaneamente, gerar atividade económica.


Projetos como o Vila Galé Collection Palácio dos Arcos, instalado num antigo palácio histórico, o Vila Galé Collection Elvas, primeiro hotel concluído ao abrigo do programa Revive, o Vila Galé Collection Braga, desenvolvido num antigo hospital, ou o Vila Galé Albacora, em Tavira, resultante da recuperação do antigo arraial da pesca do atum, ilustram esta estratégia. No Brasil, Vila Galé Collection AmazóniaOuro Preto representam igualmente essa aposta na valorização do património arquitetónico e cultural.


“Não queremos apenas construir hotéis; queremos criar projetos que contem histórias, respeitem a identidade local e devolvam vida a edifícios que estavam degradados ou sem utilização”, explica o CEO.


Crescer com prudência: a estratégia que levou um grupo português a afirmar-se na hotelaria internacional



A lógica destes investimentos ultrapassa a componente turística. A recuperação de património é entendida como um instrumento de regeneração urbana, capaz de devolver vida a edifícios devolutos, criar novas dinâmicas económicas, aumentar a atratividade dos destinos e estimular atividades complementares, desde a restauração ao comércio, passando pelos serviços, cultura e animação turística.


Este efeito multiplicador torna-se particularmente relevante nas regiões do interior do país, outra das áreas estratégicas da expansão do grupo. Nos últimos anos, o investimento em destinos como Elvas, Alter do Chão, Serra da Estrela, Douro, Tomar, Ponte de Lima ou Alentejo procurou responder a um objetivo que vai além da hotelaria e que passa por contribuir para o desenvolvimento económico de territórios com menor densidade populacional e menor concentração de investimento privado.


Crescer com prudência: a estratégia que levou um grupo português a afirmar-se na hotelaria internacional



A visão assenta na ideia de que um hotel não funciona de forma isolada. Cada unidade mobiliza uma rede de colaboradores, fornecedores, produtores locais, empresas de manutenção, transportes, restauração e comércio, criando impacto para além da atividade turística. Paralelamente, a valorização da gastronomia regional, dos vinhos, dos azeites, das tradições e da oferta cultural procura reforçar a ligação entre os empreendimentos e o território, contribuindo também para combater a sazonalidade e aumentar o tempo médio de permanência dos visitantes.


A sustentabilidade constitui outro dos pilares da estratégia de crescimento. Para o grupo, esta abordagem não se limita à dimensão ambiental, integrando igualmente preocupações económicas, sociais e territoriais.


Na componente ambiental, a aposta passa pela eficiência energética, redução dos consumos, gestão da água, diminuição do plástico de utilização única, digitalização de processos e adoção de melhores práticas operacionais. Do ponto de vista económico, a prioridade continua a ser uma expansão prudente, sustentada pelo reinvestimento nas unidades existentes e pela modernização da oferta. Já na dimensão social, a valorização das equipas, a contratação local, a formação profissional e o envolvimento das comunidades assumem um papel central, reforçado por iniciativas de responsabilidade social e parcerias com instituições locais.


Esta visão integrada pretende assegurar que cada novo investimento é simultaneamente competitivo e útil para o território onde se desenvolve, procurando conciliar rentabilidade empresarial com impacto social positivo. “A nossa ambição é que cada hotel seja competitivo, mas também útil ao território. A sustentabilidade tem de ser prática, mensurável e integrada na operação diária”, afirma Gonçalo Rebelo de Almeida.


Olhando para os próximos anos, o desafio passa por manter este modelo de crescimento sem perder identidade. O grupo reconhece que o contexto internacional coloca exigências adicionais, desde o aumento dos custos operacionais e da energia até à escassez de mão de obra, burocracia, processos de licenciamento e acesso ao financiamento. Ainda assim, identifica oportunidades relevantes tanto em Portugal como no Brasil.


No mercado nacional, a prioridade continuará centrada na recuperação de património, no desenvolvimento do interior, no enoturismo, na natureza e em projetos diferenciadores. Entre 2026 e 2028 encontram-se em desenvolvimento seis novos projetos da marca Collection em Penacova, Cardiga, Paço Real de Caxias, Miranda do Douro, Almada Carvalhais e Terceira. No Brasil, o plano contempla sete novos hotéis distribuídos por São Luís do Maranhão, Coruripe, Brumadinho, João Pessoa e Florianópolis.


“Crescer por crescer nunca foi o nosso objetivo; queremos projetos que façam sentido, que tenham procura e que acrescentem valor à marca”, conclui o CEO do Grupo Vila Galé.


Ao celebrar quatro décadas de atividade, o Grupo Vila Galé apresenta-se como um caso de crescimento sustentado na hotelaria portuguesa. Num setor em constante transformação, a estratégia seguida demonstra que a expansão internacional pode coexistir com uma forte ligação ao território, à recuperação do património e à criação de valor económico e social, consolidando uma marca de origem portuguesa com ambição de continuar a crescer de forma consistente.