O CineBancários exibe duas estreias a partir desta quinta-feira (2): o documentário nacional “Anatomia do Caos”, às 17h, e o longa-metragem “Salvação”, Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim, às 19h. Na sessão das 15h, a sala exibe o filme “Apenas Coisas Boas”, de Daniel Nolasco.
Ambientado em uma remota vila montanhosa, “Salvação” gira em torno de um conflito desencadeado por uma disputa de terras. É inspirado em um caso real ocorrido em 2009, no qual 12 membros de uma família em uma vila na região curda da Turquia invadiram um casamento e mataram 44 pessoas, incluindo mulheres e crianças.
“Foi um evento chocante para mim. Comecei a me perguntar: ‘Como pessoas podem agir coletivamente dessa maneira?’. Entendi que havia um líder incitando os perpetradores. Então me questionei: ‘Como um líder pode convencer tanta gente?’. Li as notícias, entrevistas, mas não consegui formar uma imagem satisfatória com todas essas informações. Então me vi escrevendo um roteiro que faz referência à história moderna da humanidade, que envolve massacres, genocídios e guerras”, declarou o diretor Emin Alper à Variety.
Depois de uma bem-sucedida estreia no cinema de ficção com a cinebiografia de Gal Costa (“Meu Nome É Gal”), protagonizada por Sophie Charlotte, Dandara Ferreira volta ao circuito agora com um documentário político. No dia 2 de julho, chega aos cinemas “Anatomia do Caos”, em que a cineasta baiana mostra a negligência do governo de Jair Bolsonaro na pandemia de coronavírus a partir dos trabalhos da CPI da Covid.
O filme chega aos cinemas com distribuição da Descoloniza Filmes e relembra as omissões do governo federal e da extrema-direita durante a pandemia que culminaram na morte de mais de 700 mil brasileiros. A obra traça um panorama nacional de como decisões deliberadas e a falta de respostas adequadas diante de uma emergência sanitária global moldaram o cenário de crise em todo o país, revelando registros de bastidores inéditos de senadores, documentos e investigações que expõem as falhas estruturais na condução da crise.
O filme explora como o discurso oficial produziu uma confusão deliberada, transformando a morte em ruído político e a ciência em inimiga. “Não se tratava apenas de negligência. Havia uma construção narrativa em curso, uma política da desinformação que transformava a morte em estatística e a dor coletiva em deboche”, pontua a cineasta, que buscou capturar o país à deriva enquanto os eventos ainda se desenrolavam em rede nacional.