A Cariad, empresa criada pelo Grupo VW para desenvolver os sistemas de software que são cada vez mais necessários aos automóveis modernos, foi a indigitada para representante do consórcio alemão na formação da parceria Automated Driving Alliance com a também germânica Bosch. O objectivo consistia em desenvolver um sistema de condução autónoma, no qual a VW investiu cerca de 1,5 mil milhões de euros, verba que agora jogou para o lixo ao matar o projecto e a parceria.

Esta não é a primeira vez que a Cariad deixa o grupo germânico em maus lençóis, com a empresa de software a ter nascido de uma fusão de mais de uma centena de startups especializadas exactamente em software, mas que nunca conseguiram produzir um sistema para todas as marcas do grupo, ao nível dos melhores da concorrência. Este desaire ajudou à saída do então CEO Herbert Diess, em final de 2022, e levou a que a Porsche tivesse de recorrer ao Android Automotive, da Google, para equipar os seus modelos no fim de 2024, precisamente no Macan eléctrico.

Apesar de um histórico pouco invejável, o maior grupo europeu e o segundo maior do mundo voltou a confiar nos técnicos da Cariad para, juntamente com a Bosch — e utilizando câmaras e a capacidade de digitalização da Mobileye —, conceber um sistema de ajuda à condução tão eficaz que permitisse garantir, a breve prazo, uma solução de condução autónoma passível de ser instalada em todas as marcas do grupo, especialmente as mais luxuosas. Contudo, de acordo com o jornal alemão Bild, a administração do Grupo VW reconhece que, apesar de todos os esforços, “ainda persistia uma significativa desvantagem do sistema da VW face aos dos seus rivais”, nomeadamente a Tesla e a Waymo.

O Grupo VW admite a incapacidade da Cariad e da Bosch em domar esta complexa tecnologia, mas diz continuar a acreditar que é impensável pensar no automóvel do futuro sem condução autónoma. Daí que já esteja no mercado à procura de alternativas — não de parceiros para desenvolver um sistema próprio, como até aqui, mas sim para adquirir uma solução chave-na-mão. E tudo indica que já a poderá ter encontrado pois, segundo a imprensa alemã, o construtor deverá anunciar um acordo com um fornecedor a breve trecho, previsivelmente em Setembro.

Esta rapidez em encontrar uma alternativa parece ter uma possível explicação ou, melhor, duas. A primeira (e a menos provável) é uma solução vinda da Mobileye, uma empresa israelita cotada no NASDAQ que começou como especialista em imagem e software de tratamento e processamento, mas que mais recentemente alargou o seu âmbito de intervenção para a condução autónoma, especialmente após a Intel ter adquirido 88% do capital da empresa. Mas (ainda) falta saber qual é o nível de desenvolvimento e aperfeiçoamento que a sua tecnologia proporciona. O segundo hipotético fornecedor de um sistema de condução autónoma poderá ser a Rivian, um jovem fabricante de veículos eléctricos com quem a VW criou a joint-venture Rivian and Volkswagen Group Technologies, onde os alemães investiram 5,8 mil milhões de dólares (cerca de 5000 milhões de euros). O objectivo desta joint-venture consistia em desenvolver novas plataformas e arquitecturas electrónicas para a próxima geração de veículos eléctricos. A Rivian está a desenvolver um sistema autónomo que denomina Gen2, mas fora da mencionada parceria, potencialmente sendo esta solução que poderá interessar ao Grupo VW.