O trabalho de José Pedro Castro identificou novos mecanismos inflamatórios que poderão prever doenças associadas à idade antes do surgimento dos primeiros sintomas.
José Pedro Castro é investigador do grupo «Ageing and Aneuploidy» do i3S. Fotografia: DR
O investigador José Pedro Castro, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, foi distinguido com o Rising Star Award, um prémio internacional atribuído pelo comité científico da Longevity Summit Dublin 2026, que decorreu no final de junho na Irlanda. O galardão reconhece cientistas em ascensão pelo seu contributo inovador para a investigação, premiando, no caso de José Pedro Castro, o trabalho desenvolvido na área da biologia do envelhecimento e, mais concretamente, o estudo visando compreender de que forma a inflamação influencia o desenvolvimento de doenças associadas à idade.
“Há já alguns anos que tento responder a uma pergunta aparentemente simples, mas muito difícil de desvendar: o que faz com que o nosso corpo envelheça biologicamente mais depressa?”, explica José Pedro Castro. Embora a inflamação seja apontada como um denominador comum de várias doenças (como as cardiovasculares e as neurodegenerativas, por exemplo), o investigador tem procurado perceber quando começa este processo, que células e tecidos estão envolvidos e quais os mecanismos inflamatórios que aceleram efetivamente o envelhecimento.
Para responder a estas questões, a equipa recorre a “uma abordagem de biologia de sistemas, combinando grandes volumes de dados moleculares, aquilo a que chamamos multi-omics, com métodos computacionais e inteligência artificial”, obtendo, deste modo, uma visão detalhada das alterações moleculares que ocorrem nas células e nos tecidos ao longo da vida. Um dos principais resultados do trabalho foi a identificação de um novo circuito inflamatório que parece acelerar diretamente o envelhecimento biológico. Validado por testes em modelos celulares e animais, este circuito mostrou que determinados processos inflamatórios podem não ser apenas uma consequência da idade, mas também um dos seus motores.
“Nem toda a inflamação é necessariamente má”
Na Longevity Summit Dublin 2026, José Pedro Castro apresentou ainda um segundo projeto que desafia a ideia segundo a qual toda a inflamação é prejudicial. A investigação distingue a inflamação regenerativa, essencial para a reparação dos tecidos, da inflamação crónica e disfuncional, introduzindo o conceito de «fidelidade inflamatória» a fim de descrever a capacidade do organismo para manter uma resposta inflamatória equilibrada.
Segundo o investigador, “ao medir determinadas proteínas inflamatórias associadas ao aceleramento da idade biológica, poderemos identificar pessoas com maior risco de desenvolver doenças muitos anos antes dos primeiros sintomas”, abrindo caminho a novas estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e, futuramente, a intervenções capazes de atrasar alguns aspetos do envelhecimento biológico.
Para José Pedro Castro, a distinção representa “um enorme motivo de orgulho” e um reconhecimento do percurso desenvolvido ao longo dos últimos anos. “É também um reconhecimento da equipa com quem trabalho diariamente e das colaborações nacionais e internacionais que têm tornado este percurso possível”, afirma.
O investigador considera ainda que o prémio reforça a importância da abordagem de problemas antigos com novas perspetivas. “Dá-me ainda mais motivação para continuar este caminho, sabendo que há muito trabalho pela frente e muitas descobertas com potencial impacto à espera de serem feitas”, conclui.