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A Fundação Docomomo Ibérico, criada nos anos 1990 para salvaguardar o património arquitetónico moderno da Península Ibérica, já identificou e catalogou quase 2.500 edifícios construídos entre 1925 e 1975 em Portugal e Espanha.

A organização mantém um registo vivo de obras industriais, residenciais, religiosas e públicas que marcaram o movimento moderno na arquitetura.

Entre os imóveis destacados estão universidades, igrejas, fábricas, habitações e até centrais hidroelétricas que romperam com os estilos tradicionais ao introduzir novos materiais como betão, aço e vidro. O trabalho da fundação, que recebe mais de 670 mil visitas anuais ao seu site, inclui a divulgação das características de cada edifício, imagens, plantas, entre outros.

A história da Docomomo Ibérico começou em 1990, inspirada na associação internacional fundada na Holanda dois anos antes. Com o apoio da Fundação Mies van der Rohe, da Fundação Arquia e de outras entidades, arquitetos e especialistas levantaram inicialmente mais de 4.000 edifícios, dos quais 1.800 foram selecionados para os primeiros volumes publicados.

Hoje, o catálogo cresceu para 2.468 imóveis e serve como instrumento essencial para compreender a arquitetura moderna ibérica e o seu impacto cultural e social. Para além da investigação e registo, a fundação promove exposições, visitas guiadas e iniciativas como a colocação de placas identificativas em edifícios emblemáticos, como forma de sensibilizar as comunidades e autoridades locais.

Apesar dos avanços, o movimento de preservação tem enfrentado derrotas, como a demolição da icónica “Pagoda” de Miguel Fisac, em Madrid, em 1999, ou da Casa Vallet, de José Antonio Coderch. Outros imóveis continuam em risco, enquanto alguns, como a fábrica Clesa em Madrid, foram salvos após campanhas públicas.