Bolsas asiáticas afundam com pressão da IA. “Benchmark” de Taiwan entra em correção técnica
Os principais índices asiáticos terminaram a última sessão da semana com fortes perdas em toda a linha, que chegaram mesmo a ser as mais expressivas desde o anúncio das tarifas generalizadas por parte dos EUA em abril do ano passado, à medida que os investidores se afastaram das ações tecnológicas, agravando a onda de vendas entre as fabricantes de chips após uma recuperação vertiginosa este ano. Pela Europa, os futuros do Euro Stoxx 50 seguem a recuar cerca de 1%, apontando para uma abertura em baixa.
No Japão, o Nikkei caiu 4,09%, enquanto o Topix perdeu 2,90%. Na China, o Hang Seng de Hong Kong cedeu 1,88%, com o Shanghai Composite a subtrair 2,29%. Já por Taiwan o TWSE afundou 6,47%. Pela Coreia do Sul, os mercados estiveram encerrados devido a um feriado nacional.
O índice regional MSCI Ásia-Pacífico caiu mais de 2%, marcando o pior fecho em mais de dois meses. As principais empresas asiáticas do setor dos semicondutores registaram quedas acentuadas em toda a região, com a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) a derrapar mais de 7%, mesmo depois de os seus resultados terem superado as estimativas, enquanto a japonesa Kioxia Holdings afundou mais de 16%, com a capitalização bolsista desta empresa a reduzir-se para metade em apenas um mês, desde que se tornou na empresa mais valiosa do Japão. Ainda por Taiwan, o índice de referência entrou mesmo em território de correção – com o “benchmark” do país a recuar cerca de 11% em relação aos últimos máximos.
A Netflix também pesou sobre o sentimento do mercado, com as ações da gigante do streaming a caírem 9% no pós-mercado em Wall Street, depois de a empresa ter previsto um segundo trimestre consecutivo de abrandamento no crescimento das vendas.
A agravar o sentimento dos investidores está igualmente o facto de o petróleo estar a somar uma subida de 10% no conjunto desta semana, a caminho do seu maior ganho semanal desde abril e reacendendo as preocupações com a inflação.
Embora a inflação mais moderada nos EUA tenha atenuado as expectativas de um aumento imediato das taxas de juro por parte da Reserva Federal, as tensões no Médio Oriente continuam a impulsionar os preços do petróleo, enquanto a atenção se mantém centrada nos resultados das empresas de IA, à procura de indícios de que os milhares de milhões de dólares em gastos e investimentos se traduzirão em retornos. “As orientações relativas ao investimento em capital voltam a estar no centro das atenções, à medida que os investidores se mostram cada vez mais céticos quanto à possibilidade de se alcançar um crescimento sustentável, mantendo simultaneamente um balanço financeiro saudável”, disse à Bloomberg Fabien Yip, da IG International. “Esperamos que o mercado continue a registar volatilidade durante a época de divulgação de resultados, mas é improvável que isto marque o fim da história da IA”, resumiu.
Noutros pontos, um indicador do sentimento dos investidores em relação ao “hardware” tecnológico chinês fixou-se no valor mais pessimista de sempre, à medida que a forte subida das ações do setor dos chips arrefece rapidamente. O indicador de medo/ganância do Índice Star 50, que mede a força de venda em relação à força de compra, caiu para o seu nível mais baixo desde o lançamento desta métrica, em meados de 2020.
E isto à medida que os investidores se posicionam para a entrada em bolsa da chinesa CXMT Corp. Para alguns investidores, a própria dimensão da oferta pública inicial da CXMT, no valor de 9,8 mil milhões de dólares — a segunda maior de sempre no país —, constitui, por si só, um sinal de alerta.
Entretanto, o Presidente chinês, Xi Jinping, elogiou os progressos da China no desenvolvimento de inteligência artificial de baixo custo na Conferência Mundial de IA, em Shanghai. No entanto, não chegou a fazer quaisquer anúncios que servissem de catalisador para o mercado.