Duas das maiores economias da Europa juntam-se no mesmo lugar improvável: o daquelas que, com o acumular dos défices, arriscam ter de pedir a intervenção do Fundo Monetário Internacional.
Francois Bayrou, leader of French centrist party MoDem (Mouvement Democrate), arrives to attend the second plenary session of the Conseil National de la Refondation (CNR – National Council for Refoundation) at the Elysee Palace in Paris, France, December 12, 2022. REUTERS/Gonzalo Fuentes
O ministro francês da Economia, Finanças, Segurança Industrial e Digital, Eric Lombard, lançou a indicação, esta terça-feira, de que há um risco de o Fundo Monetário Internacional (FMI) ter de intervir na economia se o governo minoritário do primeiro-ministro François Bayrou cair no mês que vem.
O governo minoritário de Bayrou parece cada vez mais propenso a ser derrubado pela oposição depois de os três principais partidos que estão do outro lado da ‘barricada’ terem dito que não apoiariam um voto de confiança que Bayrou anunciou para 8 de setembro – e com o qual pretende sufragar na Assembleia Nacional os seus planos de cortes orçamentais radicais.
“Estamos bem no meio da batalha”, disse Lombard à rádio France Inter. E acrescentou que “certamente não estava resignado” com o governo de Bayrou enfrentar a possibilidade de perder o voto de confiança.
Questionado sobre os comentários de outros políticos de que um colapso do governo de Bayrou poderia resultar na intervenção do FMI nas finanças da França, Lombard respondeu: “Esse é um risco que está à nossa frente”. “É um risco que gostaríamos de evitar e que devemos evitar, mas não posso dizer que esse risco não existe”, acrescentou.
O governo francês tem-se mostrado incapaz de controlar o aumento do défice orçamental, da dívida pública – que há muito ultrapassou a ‘barreira psicológica’ dos 100% do PIB – e mesmo o crescimento da inflação. Tudo somado, a economia francesa não consegue ultrapassar o mau momento, que é em parte patrocinado pela crise instalada depois da imposição de tarifas aduaneiras por parte dos Estados Unidos.
A situação de França é em tudo idêntica à do Reino Unido, onde também já paira o ‘fantasma’ do pedido de auxílio do FMI. De facto, vários economistas britânicos têm dito publicamente que a economia do país está a aproximar-se perigosamente da incapacidade total de encontrar soluções para os seus problemas estruturais – que são muito semelhantes àqueles que atormentam os franceses.