Recentemente, uma célula que participava de um cérebro humano criado em laboratório quebrou o antigo recorde e sobreviveu por 7 anos. Conhecidos como os cérebros de laboratório mais antigos do mundo, as células cresceram de maneira semelhante ao que acontece com os humanos e alcançaram o tamanho de um grão de pimenta.
De acordo com o artigo publicado na revista Nature, na última quarta-feira, o antigo recorde era de 694 dias. Essas culturas, que são utilizadas para teste de novos medicamentos, estão surpreendendo a própria equipe com sua longevidade.
Conforme a pesquisadora e a autora principal do artigo, Paola Arlotta, apesar da célula já ter batido o recorde há muito tempo, eles estavam esperando que ela completasse o seu ciclo para poder datar corretamente o tempo de vida das células. Arlotta disse:
Os dados indicam que os organoides cerebrais humanos registram a passagem do tempo seguindo marcos endógenos e usando mecanismos epigenéticos semelhantes, […] O trabalho demonstra que uma diversidade de células em organoides pode se desenvolver ao longo de períodos de tempo consideráveis e são capazes tanto de gravar quanto de lembrar sua idade de desenvolvimento.”
Os cérebros humanos criados em laboratório
Embora os cérebros demandem cerca de 20 anos para se desenvolver, os estudos atuais já revelaram mistérios da criação e crescimento das redes neurais.
Inclusive, segundo a New York Post, até então os cérebros não sobreviviam muito mais que 2 anos. Uma vez que sistemas de oxigenação das células tão eficiente quanto a vascularização cerebral são difíceis de alcançar.
Com a atualização dos métodos de oxigenação as células passaram a crescer por mais tempo. De modo que os pesquisadores de Harvard atualmente monitoram 34 organoides em diferentes “épocas da vida”.
Para datar esses acúmulos de células cerebrais, os pesquisadores usaram o perfil de metilação do DNA, um processo químico que acontece durante o desenvolvimento. Surpreendentemente, ao misturar um cérebro artificial de 1 ano com um de 2 semanas eles conseguiram se unir e sobreviverem.
Além disso, as células levam cerca de 4 meses para poder nascer e logo são disputadas entre pesquisadores dos EUA que usam esses organoides para estudar a cura de doenças como o Alzheimer — sexta maior causa de morte nos Estados Unidos.
*Sob supervisão de Éric Moreira
Historiador em formação que troca qualquer “sextou” por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: