Os medicamentos à base de semaglutido, como Ozempic e Wegovy, podem ter efeitos que vão além da perda de peso e do controlo da diabetes. Um novo estudo encontrou sinais de que esta substância pode estar associada a um ritmo mais lento de envelhecimento biológico. Publicado em maio na revista científica “Nature Communications”, citada pela “Men’s Health“, o estudo analisou dados de um ensaio clínico que envolveu adultos com VIH e lipohipertrofia associada à infeção, uma condição caracterizada pela acumulação de gordura, nomeadamente na zona abdominal.
Dos participantes, 45 receberam uma injeção semanal de semaglutido durante 32 semanas e 39 receberam um placebo. Os investigadores analisaram amostras de sangue recolhidas antes e depois do tratamento para estudar alterações de metilação do ADN. Estas alterações químicas podem ser utilizadas pelos chamados relógios epigenéticos, ferramentas que estimam a idade biológica e o ritmo a que o organismo envelhece.
Os resultados apontaram para um envelhecimento epigenético mais lento no grupo que recebeu semaglutido em vários destes relógios. Um deles, o DunedinPACE, indicou uma redução de cerca de 9% no ritmo de envelhecimento biológico face ao grupo que recebeu placebo.
Os investigadores encontraram ainda sinais de alterações em marcadores associados ao envelhecimento de diferentes sistemas, incluindo o cérebro, coração, fígado e rins. Estes resultados foram obtidos através de relógios epigenéticos específicos, calculados a partir das amostras de sangue, e não através da análise direta desses órgãos.
Uma possível explicação está nos efeitos metabólicos do semaglutido. A substância está associada à redução da gordura visceral e da inflamação, processos que podem contribuir para um envelhecimento biológico acelerado.
Ainda assim, os autores deixam claro que os resultados não significam que o semaglutido faça as pessoas envelhecerem mais devagar ou que aumente a longevidade. Trata-se de uma análise exploratória realizada depois do ensaio clínico original, com uma amostra relativamente pequena e numa população específica.
Além disso, o acompanhamento durou apenas 32 semanas. Serão necessários estudos maiores, realizados especificamente para avaliar o envelhecimento e com períodos de acompanhamento mais longos, para perceber se estas alterações epigenéticas têm consequências reais na saúde e na longevidade.